Desiludam-se os que pensam que António José Seguro vai agregar todos os votos dos restantes candidatos agora derrotados, essa vai ser a estratégia, mas desenganem-se, muitos dos que votaram em Cotrim, no Almirante e em Marques Mendes, irão votar em André Ventura na segunda volta, os mais conscientes sabem o que tem custado ao país a manutenção do regime socialista…. Com Seguro a obrigá-los (PS e PSD) a entenderem-se, em nome dessa coisa a que chamam “estabilidade” e a que eu chamo “marasmo profundo”, com os mesmos esquemas, as mesmas negociatas, os mesmos conluios do “bloco central”, até um dia.
Não há dificuldade em decifrar os vencedores e os derrotados desta primeira volta das presidenciais. António José Seguro foi quem ganhou estas eleições, com uma vitória pessoal e diga-se de forma clara, contra o seu próprio partido, que não o apoiou por convicção, mas por obrigação e por falta de alternativa mais “geringoncista”.
Nunca é demais recordar o celebre episódio do seu abalroamento do partido, perpetrada por essa execrável e sinistra figura, de seu nome António Costa, episódio esse que deixa sempre marcas que não se ultrapassam e o PS é obviamente um dos derrotados da noite eleitoral, sendo escusado vir agora encavalitar-se na vitória que é estritamente pessoal, repito, até porque teve muitos votos de gente da AD e ao invés, outros tantos que habitualmente votam PS, votaram agora em outros candidatos.
Mas note-se, não é só o PS que é derrotado, a esquerda no seu todo teve cerca de dois milhões de votos e em relação às legislativas ainda perdeu cerca de noventa mil votos, o que evidencia a continuação da derrapagem que esperamos que continue. Parabéns, portanto, ao indubitável ganhador desta primeira volta.
O outro vencedor é obviamente André Ventura, vamos ser claros, este é o homem que os beneficiados do “sistema” vigente odeiam, os que vivem dos esquemas da política e dos conluios formados na esfera do “bloco central”. O único candidato que apoiado por um partido, manteve intacto o eleitorado do Chega, o tal milhão e perto de quinhentos mil, depois de somados os votos dos emigrantes, tal como aqui vaticinei em agosto do passado ano, bem antes de se apesentar como candidato, grande foi a noite de ontem, também para André Ventura. Depois de comentadores e jornalistas passarem a noite a repetir que haveria uma suposta luta pelo segundo lugar com Cotrim de Figueiredo, quando já toda a gente percebia que não havia sombra de empate, acabando por se distanciar do terceiro lugar os mesmos 7,5% que o distanciou do vencedor. Frustrações e indignações de jornalistas e comentadores à parte, começou a corrida dos derrotados em estúdio para o colinho do vencedor, com a turba de interessados a manifestarem o seu apoio na segunda volta ao candidato do “sistema” e isto não é uma critica, é uma realidade afirmada pelo próprio Seguro durante a campanha.
Os grandes derrotados são obviamente todos os outros, os ditos de “direita”, que nunca o foram nem serão, Cotrim, Gouveia e Melo, Marques Mendes e essa enorme derrota de Luís Montenegro, é que esta coisa de apostar em cavalos errados, em política tem consequências e André Ventura não vai largar a liderança da “direita” e o primeiro-ministro que se cuide, porque nada vai ser como antes.
Desiludam-se os que pensam que António José Seguro vai agregar todos os votos dos restantes candidatos agora derrotados, essa vai ser a estratégia, mas desenganem-se, muitos dos que votaram em Cotrim, no Almirante e em Marques Mendes, irão votar em André Ventura na segunda volta, os mais conscientes sabem o que tem custado ao país a manutenção do regime socialista e urge afastar definitivamente o socialismo da esfera do poder.
Apesar da previsível vitória de Seguro, sejamos realistas e, diga-se de passagem, aqui que ninguém nos ouve, que seria um desperdício de talento e de coragem Ventura ser presidente da república, se o líder do Chega alcançar um resultado entre os 35 e os 40%, ninguém mais o vai segurar, será o fim de Montenegro (que agora não pode mandar votar Seguro nem Ventura, porque sabe que os seus simpatizantes estão divididos entre os dois e o partido não aguentava dois erros seguidos) e a grande travessia do deserto do PSD.
E agora pode perguntar-se, mas vem algum mal ao mundo, por António José Seguro vir a ser presidente da república? Não, nada disso, nada de mal nos acontecerá, até porque tudo continuará com antes. E Seguro é ou não, uma personalidade séria, íntegra, digno de confiança? Mas com certeza que sim, isso não está, nem julgo que venha a estar em causa, tal como Ventura também o é. Então qual é o problema? O problema é esse mesmo, é que tudo vai ficar na mesma, com o PSD e o PS nos braços um do outro durante mais três anos, com Seguro sonolentamente a obrigá-los a entenderem-se em nome dessa coisa a que chamam “estabilidade” e a que eu chamo “marasmo profundo”, com os mesmos esquemas, as mesmas negociatas, os mesmos conluios do “bloco central”, até um dia.
E o Chega a crescer e a crescer e a crescer….
E já agora parem lá com essa patetice de estar em perigo a democracia se Ventura for presidente, que raio senhores, a estupidez também tem limites, façam lá um esforço e apelem à vossa sensatez.


