Empoderamento de mulheres em risco de pobreza em Moçambique

Marta Roque

O Projeto “Empowerment das mulheres do Distrito de Gurué”, em Moçambique, lançou uma campanha  de amadrinhar as mulheres da região moçambicana em situação de pobreza. Uma iniciativa da nova associação que os padres Dehonianos  criaram nesta localidade acompanhados de leigos, visa apoiar as mulheres e as suas famílias em ambientes muito pobres do Distrito de Gurué e Alto-Molócué. Até 2024 pretende-se ajudar  400 famílias.

Tem como meta chegar às 150 mulheres, mas neste momento o Padre Luciano Vieira, responsável do projecto, revela que já estão a  trabalhar com 30 mulheres. “Levámos três anos a conseguir terminar as obras de preparação da Escola Machamba Gurué, que acomoda o projeto. Durante esse tempo apoiámos várias famílias para testar a ideia e consolidar procedimentos. Chegámos à conclusão que uma mandala circular agrícola para resultar bem deveria ser para uma família.”

Cada mulher é acompanhada durante um ano pela Escola Machamba Gurué que garante a assistência e formação necessárias a cada mulher para pôr em prática o projeto.

O Padre Luciano Vieira dá como exemplo, a venda de ovos das 20 galinhas poedeiras “cada mulher poderá conseguir um rendimento de aproximadamente dois euros, o que irá permitir sair de uma situação de pobreza extrema. Não é muito é certo, mas se conseguirem produzir e vender os produtos hortícolas, seguramente já estarão a ganhar tanto quanto os trabalhadores assalariados que temos na localidade, nomeadamente os que trabalham com o Chá.”

Projeto “Empowerment das mulheres do Distrito de Gurué”, em Moçambique.

Nestas localidades as pessoas não têm animais presos, não alimentam as galinhas e os porcos, cada um procura a sua comida. “Esta ideia de ter um galinheiro não é fácil de aceitar, uma vez que nesta região as galinhas e as outras aves dormem nas mangueiras e  assim como poder ter uma horta o ano inteiro”, explica.

Cada pessoa procura uma zona baixa, perto do rio para fazer a horta durante a época que não chove.

São algumas das maiores dificuldades que as pessoas vão ter, para além da possibilidade de serem mais autónomas devido ao facto de terem o seu rendimento.

“Por um lado queremos promover as mulheres e as suas famílias, de modo a que cada uma possa criar uma rentabilidade para as suas famílias, mas por outro, que permita o combate à subnutrição das crianças e a erradicação da fome. Sabemos que estamos no início, mas este caminho que agora está a ser percorrido por três famílias, mais tarde pretende-se, na segunda fase, que seja percorrido por mais 50 famílias, e até 2024 por 400 famílias”, refere o sacerdote.

Em Portugal os padres Dehonianos criaram a ACEAG Portugal que promove o projecto da ACEAG fora de Moçambique, pela necessidade de clarificar a questão legal da recepção de donativos.

O projeto Empowerment das mulheres nasce no contexto do início das atividades da Escola Machamba da Associação Centro de Ensino e Agricultura do Gurué, que pretende abrir novas portas para o desenvolvimento socioeconómico das mulheres e das suas famílias.

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