Inferno Vermelho, a fórmula Buddy Cop de Walter Hill

Bernardo Almeida

Realizado e escrito pelo cineasta americano Walter Hill, “Red Heat” (Inferno Vermelho) estreava nos cinemas portugueses a 21 de outubro de 1988, com Arnold Schwarznegger e James Belushi nos papeis principais, Peter Boyle, Lawrence Fishburne e Gina Gershon nos papeis secundários e Ed O´Ross como o principal antagonista.

Filmado na Hungria, Rússia e EUA, este filme recai num modelo anteriormente utilizado por Hill seis anos antes, no filme 48 horas, com Eddie Murphy e Nick Nolte. Este modelo é chamado a fórmula Buddy Cop.

Este método consiste em juntar duas personalidades inicialmente antagónicas que são forçadas a trabalhar em conjunto para derrotar criminosos. Ao longo do filme, estas personagens vão encontrando lugares comuns que fortalecem os laços e as aproximam, retirando-lhe algum do antagonismo inicial.

No caso de Inferno Vermelho, esta fórmula é evidente. Ivan Danko (Schwarznegger), é um capitão da polícia russa, frio, duro, grande e musculado com frases curtas e um olhar determinado. Art Ridzik é baixo, fora de forma, fala muito, exalta-se facilmente e a sua determinação é igual à sua forma física.

Se a estes traços de personagem juntarmos a heroicidade, ou seja, de quem depende a condução do filme e a quem é dado o papel honroso e incorruptivel, este é claramente para Shwarznegger.

Apesar deste não ser um papel com as convenções humorísticas que aparecem em 48 horas, ou mesmo os one-liners que se pode esperar de um actor como Shwarznegger, é sobre ele que curiosamente recai o peso deste filme.

Danko é para Hill uma forma da América se ver a si mesma como que de fora. São diversas as cenas onde Danko se depara com a decadência americana, como a pornografia na televisão do seu quarto de pensão que mais parece ser parte de um bordel.

Talvez a cena mais ilustrativa é a de um interrogatório onde a Danko lhe é explicado que os criminosos têm direitos, ao mesmo tempo que Ridzik põe um saco de cocaína no bolso do criminoso para o obrigar a falar.

A isto Danko responde com aquilo que é esperado. A força bruta que desfere um golpe na burocracia e corrupção da polícia de Chicago.

Não deixa de ser curioso também que Hill tenha decidido criar uma personagem russa, sem a pintar de uma forma negativa ou torcista, típica dos macro temas da guerra fria.

Desta vez é ao contrário. Danko só está interessado em apanhar o seu criminoso e tem de suportar o capitalismo americano e a subserviência ao sistema que é o que Ridzik representa.

Naturalmente que ao longo do filme estas espécies de opostos vão-se misturando, e no caso de Ridzik é apenas quando é suspenso do caso que lhe é dado algum protagonismo heróico.

Inferno Vermelho é um filme de entretenimento, e está longe de ser mais do que isso, embora o seu argumentista e realizador tenha querido dar algumas nuances ao tema do Buddy Cop.

O filme vale pelo bom papel de Swarznegger que ocupa o espaço todo e ofusca todos os outros, inclusivé os maneirismos histéricos que Belushi normalmente põe nas suas personagens.

Foi um flop de bilheteira mas faz parte dos filmes de acção dos anos 80 e tem, apesar de tudo, algumas linhas de diálogo memoráveis.

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