Se a essência da maçonaria é o naturalismo e a essência do cristianismo é a vida sobrenatural, são dois caminhos opostos, logo a fé cristã nunca será conciliável com a Maçonaria.
A Igreja Católica é tolerante com as pessoas, mas não abdica nem vacila em relação à objectividade da Verdade. Vem isto a propósito de o Dicastério para a Doutrina da Fé (Santa Sé) ter reforçado a proibição de adesão dos católicos à maçonaria, respondendo a uma questão do bispo de Dumanguete, das Filipinas, numa nota publicada on-line na semana passada.
O texto diz que “a filiação ativa de um fiel na maçonaria é proibida, devido à irreconciliabilidade entre a doutrina católica e a maçonaria,” assinado pelo prefeito do organismo da Cúria Romana, cardeal Victor Fernández, com a aprovação do Papa Francisco.
Esta posição tem sido constante desde o nascimento da Maçonaria, a primeira condenação data de 1738, do Pontificado de Clemente XII, sempre a Santa Sé sublinhou o seu carácter inconciliável, não se pode ser simultaneamente católico e maçon. (Pode um cristão ser maçom? de Dominique Rey)
Os termos “teísmo” e “deísmo” têm o mesmo valor etimológico e deveriam designar as doutrinas que afirmam a existência de Deus, mas o uso que delas se foi fazendo levou a distingui-las e mesmo a opô-las uma à outra, não tendo agora um significado unívoco.
O teísmo é um sistema ortodoxo que contém integralmente a Teodiceia cristã, em oposição ao ateísmo e ao panteísmo; pelo contrário o deísmo é uma concepção racionalista da divindade que tem por base a razão humana e não a Revelação divina.
Sofrendo várias nuances desde o século XVII até aos nossos dias, minimizando, pouco a pouco, a divindade, o deísmo hoje é um sistema que se aproxima mais do ateísmo e do panteísmo, na medida em que não admite a existência de um Deus criador.
Se alguns filósofos afirmam que Deus é a Ideia, ou o Progresso, ou a Humanidade ou o Inconsciente, só podemos reconhecer que isso é um absurdo, na medida em que não podemos orar, adorar ou invocar esses conceitos, que têm por fim fazer uma caricatura da religião e ao mesmo tempo rejeitá-la, substituindo-a pela idolatria.
O panteísmo em sentido amplo no qual Deus se identifica com o mundo, é uma perspectiva ateia e materialista, na medida em que não reconhece a existência de um Deus Criador e Transcendente, mas considera-o diluído na matéria, dotada de uma força ou energia vital que se desenvolve a partir de si mesma, com leis próprias.
Esta concepção ateia de Deus ou panteísmo cósmico ausente de dogmas e superada de espiritualidade, constitui a perspectiva e a interpretação de simbolismo do “ Grande Arquitecto do Universo”, o qual não é Deus e muito menos o Deus da Revelação manifestado no Seu filho Jesus Cristo. A tradição maçónica exige a crença em Deus ao mesmo tempo que atribui o nome de Deus ao que não é.
Na sua essência, a maçonaria é filosófica e religiosamente ateia, o Deus teísta não existe para eles. Qualquer norma e princípio são extraídos exclusivamente de dentro do homem, única instância que reconhecem como autoridade moral, como centro e medida de todo o universo.
Esta independência e autonomia ética da maçonaria, traduz-se num relativismo, absolutizando o homem como fonte da sua moral, a qual é aberta, laica e sem referência a qualquer tipo de religião, prescindindo assim duma relação de matriz transcendente para os seus actos, ignorando o conceito de pecado, o sentimento de culpa e aceitando como “verdade” toda e qualquer interpretação pessoal, consciente e considerada com dever humano e natural.
A crença na absoluta autonomia da razão, no livre pensamento e na livre decisão, são princípios maçónicos de cariz gnóstico. A gnose é uma heresia já condenada por Santo Ireneu no século II e que se encontra em todas as ordens iniciáticas.
Se a essência da maçonaria é o naturalismo e a essência do cristianismo é a vida sobrenatural, são dois caminhos opostos, logo a fé cristã nunca será conciliável com a Maçonaria.


