Designer de calçados casuais e ativos

Marta Roque

Kaja Bartel , designer industrial alemã, mudou-se para Portugal há 9 anos para fazer surf e design de footwear. Tem atelier no Hub Criativo Ceres– Caldas da Rainha, onde faz networking com outros artistas, desde dezembro.

“Eu desenho calçados casuais e ativos”, é assim que Kaja define o seu conceito de calçado. Especializada em design de produto, faz sapatos de mulher e homem. Trabalha com a empresa ECCO, com 60 anos de existência, em São João de Madeira perto Santa Maria da Feira, Porto.

Kaja é formada pela University of Arte, HBK Braunschweig, em 2004, na Alemanha. Desde então faz design de equipamentos desportivos, trabalha com a marca de calçados ECCO, localizada na Dinamarca. Também trabalhou com a marca de calçado Camper (Espanha) e  a Adidas (Alemanha).

Como queria aprender sobre calçado mudou-se para Palma de Maiorca.  Fez trabalhos para a marca Camper, conhecida por produzir ténis especiais, apesar de não ser uma marca “muito conhecida”, admite Kaja. Mas ali aprendeu a fazer sapatos à mão, trabalhou com muitos técnicos, e com toda a equipa de produção da linha de montagem. Mais tarde foi para Barcelona para aprender a fazer sapatos à mão sozinha.

Não quer fazer só sapatos, mas sim fazer mais experiências. “Gosto de desafiar-me a fazer coisas novas aqui no Silos,” diz-me no seu atelier.

“Gosto muito de estar ligada a outros artistas num hub criativo onde posso trocar ideias e conhecer outras experiências artísticas. Prefiro estar aqui a estar em casa, e pensar na máquina de lavar e arrumar a casa.”

Têxtil sustentável, material reciclável

Kaja Bratel no seu atelier no 5º piso, no Hub Criativo Ceres Caldas da Rainha

Usa peles com cores para os ténis desportivos, com um conceito de cores de temporada, com inspiração do mundo da moda. Compra as peles diretamente da fábrica a “bom preço”, quase um conceito “upcycling.

Em cada temporada as cores do material mudam, devido às tendências do mundo de moda. As peles cortam-se e são deitadas no lixo. Comprar o stock de peles, é uma maneira de reciclar, upcycle e dar uma nova vida, explica Kaja.

Kaja costura as peles numa máquina de coser peles no seu atelier, mas a produção final é feita na fábrica. Faz o design em 2D, mas o trabalho digital em 3D é realizado por outro designer da empresa de calçado. “As grandes empresas dividem o trabalho entre mais pessoas para ser rápido o trabalho final,” conta a designer.

Tem como planos de futuro fazer mais contatos com empresas portuguesas, para conhecer novas parcerias de trabalho. Gosta de estar no atelier  Ceres para poder criar, experimentar e desenhar os protótipos, mas também gosta de ir às fábricas, de estar com os técnicos e encontrar novas soluções de produção de calçado.

Quer conhecer a ESAD – Escola Superior de Artes e Design –  Caldas da Rainha, para dar aulas. Acredita que “Portugal tem muito potencial em conhecimento e no fabrico.”

Em 2012 veio pela primeira vez a Portugal, mas em 2015 mudou-se para a costa oeste, aqui conheceu “pessoas simpáticas” e diz que “gosta muito dos portugueses”.

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica