WOKE – trocado por miúdos

Susana Mexia

Jean-François Braunstein no seu último livro “A Religião Woke”, denuncia esta nova forma de destruir a liberdade, a sociedade, a política e a humanidade. 

Numa guerra declarada à “Verdade” em nome da luta contra a discriminação, a teoria de género defende que o sexo e o corpo não existem e que só a consciência é que importa. Hoje já conhecemos a gravidade das suas consequências.

Compreender um pouco mais sobre esta eventual “moda do cancelamento da cultura”, comparando-a com o movimento esquerdista dos anos sessenta, na luta contra os poderes estabelecidos e a cultura dominante, será tentar ir ao cerne do tema, na tentativa de se perceber e distinguir esta vertente camuflada e oportunista que se desviou do seu intuito original e alastrou para outros objectivos no mundo real.

Com origem nas universidades americanas esta vertigem, a “religião woke”, foi minando tudo e todos na sua passagem: universidades, escolas, empresas, meios de comunicação social, cultura, política e políticos.

O wokismo é um movimento que começou por despertar muito interessa às elites de poder, nomeadamente, às esquerdas sociais democráticas, que em conjunto com activistas de extrema-esquerda e de feministas radicais, que procuram estigmatizar moralmente quem se opunha a eles, apelidando-os radicalmente de racistas e fóbicos, com consequente cancelamento.

Seguiu-se-lhe a teoria de género que se esforça por apagar as diferenças sexuais, numa luta desenfreada como tivemos já oportunidade de constactar.

Numa guerra declarada à “Verdade” em nome da luta contra a discriminação, a teoria de género defende que o sexo e o corpo não existem e que só a consciência é que importa. Hoje já conhecemos a gravidade das suas consequências.

Estes movimentos geraram uma ilusão de massas, encorajada pelo desenvolvimento da vida virtual, criando identidades improváveis que só podem acontecer através das comunidades mal informadas e desinformadas.

O mundo torna-se assim numa ilusão e, para quem continua ligado à realidade, um verdadeiro caos. Estas identidades serão permanentemente sujeitas a revisão: a fluidez do género implica que possamos ser isto ou aquilo ou ainda outra coisa, de um dia para o outro. O que, até recentemente, apelidávamos de delírio ou perturbação da personalidade torna-se actualmente numa “identidade fluida” e deveras solipsista.

Uma onda de loucura, de intolerância, de estratégias políticas enganadoras, manipuladoras e falseadoras da verdade, foi-se abatendo sobre o mundo ocidental ao nível da cultura, da sociedade e da informação, bom como de alguma estratégia política, como tem sido bem visível de Leste a Oeste.

Defendendo que todo o conhecimento é subjectivo, peculiar, não existindo ciência objectiva nas ciências exactas, e muito menos nas Ciências Humanas, onde só imperam os interesses subjectivos, solipsistas, egoístas e imediatos de quem sofre a “loucura do poder”.

O objectivo de todos os wokes é desconstruir o património cultura, social, moral e científico com a finalidade de instaurar uma ditadura em seu próprio nome, na ausência dum justo e equitativo bem comum, da justiça social e dos valores Ético-Políticos que é suposto presidirem a todo o “Cidadão da Polis”, vulgo político.

WOKE – trocado por miúdos, é tudo isto e muito mais. Eu atrever-me-ia a classificar o wokismo de uma brincadeira de graúdos…Enfim, uma triste realidade: “Sobre a nudez forte da Verdade – o manto diáfano da fantasia wokista…” É sem dúvida um ensaio chocante e salutar que o leitor não pode perder para compreender como a cultura do ocidente está agonizante.

Jean – François Braunstein no seu último livro “A Religião Woke”, denuncia esta nova forma de destruir a liberdade, a sociedade, a política e a humanidade. Não é uma mera opinião do autor, pois as suas teorias estão contextualizadas e apoiadas por textos, teses, conferências, ensaios e estudos que longa e rigorosamente foram sendo efectuados.

Jean – François Braunstein, nasceu em Marselha, França, em 4 de novembro de 1953. Licenciou-se em Literaturas Modernas e Literaturas Clássicas e, posteriormente, em Filosofia, sendo mestre em Literaturas Clássicas e doutorado em Filosofia. É membro da Sociedade Francesa de Filosofia e especialista em história e filosofia das ciências. Foi professor titular de Filosofia Contemporânea na Sorbonne e investigador no laboratório EXeCO (Experiência e Conhecimento).

Historiador do pensamento médico e da filosofia francesa dos séculos XIX e XX, e um dos principais estudiosos, em todo o mundo, de epistemologia histórica e metodologia da história das ciências. Escreveu livros polémicos, como La Philosophie devenue folle: le genre, l’animal, la mort em que contesta vigorosamente as teses da teoria do género de Judith Butler e do animalismo de Peter Singer, que visariam apagar o que biologicamente diferencia homens e mulheres, humanos e animais.

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica