Mas Pedro Romano Martinez também foi um homem de causas e de convicções profundas, que defendeu arduamente a causa da vida, e que foi apoiante do movimento cívico Stop eutanásia contra a lei da morte medicamente assistida.
Os antigos diziam que “cedo partem os que Deus ama”, mas a nossa dimensão terrena não consegue deixar de sentir consternação perante a partida sem aviso daqueles que estimamos, sobretudo quando são pais de família dedicados e profissionais brilhantes, a quem sentimos que fica a faltar tempo para terminar o que tinham por fazer.
E Pedro Romano Martinez era seguramente um pai de família dedicado e um profissional brilhante. Era um jurista de primeiríssima água, Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, onde desempenhou os cargos de Diretor e de Presidente do Conselho Científico, mestre de sucessivas gerações de estudantes que marcou com o seu saber, a sua humanidade, gentileza e saber estar (qualidades que se vão perdendo hoje em dia), feitor de obra legislativa e de doutrina de aplicação diária pelos tribunais, sobretudo nas áreas do direito do trabalho, direito das obrigações, direito dos seguros, e introdução ao estudo do direito, e obreiro de tantas coisas mais, já que sabemos das centenas de trabalhos de que é feita a carreira universitária e do direito.
Mas Pedro Romano Martinez também foi um homem de causas e de convicções profundas, que defendeu arduamente a causa da vida, e que foi apoiante do movimento cívico Stop eutanásia contra a lei da morte medicamente assistida.
São dos muitos amigos que fez ao longo da vida as palavras que melhor o descrevem como pedagogo e como homem.
No lugar sem filtros das redes sociais, onde muitas vezes se ultrapassa a fronteira da correção e da urbanidade, é una a voz de louvor a lembrar a discrição, a dedicação ao trabalho e aos alunos, e o carácter de Pedro Romano Martinez.
Recorda-se o “bom colega, professor estimado e apreciado pelos alunos pela clareza e profundidade das suas aulas”, o “grande homem e professor exemplar”, “o extraordinário professor, o excelente colega e queridíssimo amigo”, o “exemplo de grandeza feito de serenidade, de decência, de humildade, de trabalho (muito, muito, trabalho) e de generosidade”, “alguém que efetivamente mudava o que o rodeava para melhor, na academia, na cidadania, como pessoa, numa forma de ser e de estar singular, simples, elegante, integra, urbana e inteligente”.
Dos contactos que tive a honra de ter com Pedro Romano Martinez, recordo o jurista rigoroso e ponderado, mas acima de tudo o ser humano de extraordinária delicadeza de trato, serenidade e humor, que deixa muitas saudades.
Não podia terminar esta nota de lembrança e de homenagem sem deixar um grande abraço à minha querida amiga Paula, e aos filhos, lamentando a perda irreparável do marido e do pai, e esperando que consigam encontrar em Deus, na família, e nos amigos, o conforto e a coragem diária para continuar.


