Título: Bosch Legacy. Género: Drama, Crime. País de Origem: EUA. Plataforma: Amazon Prime. Criador: Tom Bernardo, Eric Ellis Overmyer. Actores principais: Titus Welliver, Mimi Rogers, Madison Lintz. Nota: 8.5
Recensão
Estreou já no mês passado na Amazon Prime a segunda temporada da série Bosch Legacy. Esta que é um spin-off da série original Bosch, tem como protagonista o mesmo actor da série original, Titus Welliver.
Baseada nos livros de Michael Connelly, a série original é sobre um detective do departamento de homicídios da cidade de Los Angeles com uma capacidade extraordinária para resolver casos e “falar” pelas víctimas.
Harry Bosch é um ex-combatente da guerra do Vietname, formado nas forças especiais do exército americano. Dotado de uma forte intuição e determinado em resolver casos, Bosch é também um veterano com uma personalidade sombria, triste e obsessiva dominada pelo síndrome pós-traumático.
Ainda assim, na série original, Bosch é visto como um detective pouco amigável, mas que obtém resultados. Esses resultados culminam na sua desilusão com os poderes e interesses instalados nas politiquices das chefias policiais e Bosch decide bater com a porta.
É neste contexto que surge Bosch Legacy. Adaptado do livro The Crossing escrito por Connelly, Bosch é agora um detective privado ao serviço de quem lhe pague ao mesmo tempo que trabalha em cooperação com uma advogada de renome interpretada pela actriz Mimi Rogers, no papel de Honey Chandler.
Chandler era na série original uma espécie de inimiga de Bosch e essa relação representava os antagonismos típicos entre a justiça dos tribunais e as apreensões da polícia. A outra relação de Bosch é com a sua filha Maddie, interpretada pela actriz Madison Lintz que, em Bosch Legacy, resolve seguir as pisadas do pai e torna-se polícia.
A relação entre os dois continua a servir como uma âncora para que Bosch não se perca nas suas perseguições e se dilua na sua profissão. Dessa forma Bosch não cai no típico clichê do pai/polícia ausente que sacrifica a sua vida pessoal e dos seus para caçar criminosos.
A prestação de Welliver é fascinante ao trazer todas as características que formam a personalidade e o mundo de Bosch. Com algumas expressões faciais e olhares penetrantes, Welliver consegue ser convincente, cativante e torna Bosch numa personagem magnética, extremamente intensa e ameaçadora.
Agora que já não está controlada pela deontologia policial, parece mais perto do anti-herói que quebra as regras em nome do bem maior ao invés do seu código ético nos tempos de polícia que o “impedia” de usar certas tácticas mais ortodoxas.
Bosch Legacy é um equilíbrio entre um slow burn das séries de detective do estilo britânico como “Strike” e as séries de acção americanas. As histórias dos episódios são cortadas aos poucos e juntam-se no fim, o que permite trazer alguma descrição de personagens temporárias e ao mesmo tempo explorar as ligações entre a personalidade vincada de Bosch, o crimes que tem de resolver, e as músicas de Jazz que ouve para relaxar.
Há certos papeis que seguem as carreiras dos actores e estes são lembrados por essas prestações. Será com certeza assim no caso de Titus Welliver, um actor que já fez de vilão, de personagem secundária, mas é em Bosch que encontra a sua verdadeira oportunidade para mostrar o seu talento artístico. É sobretudo devido a Welliver que esta série resulta e consegue dar vida a uma personagem tão complexa como é Bosch.
Bosch Legacy está disponível na plataforma Amazon Prime e conta já com duas temporadas de 10 episódios. A terceira temporada já foi encomendada e é certo que Welliver continuará a dar vida a Harry.


