Famílias numerosas pedem o veto da lei de autodeterminação de género nas escolas

Marta Roque

A Associação de Famílias Numerosas acusa o Estado, por via do Ministério de Educação e das Escolas, de não ter legitimidade para impor às famílias modelos de valores que, por serem “fundamentalmente ideológicos, carecem de qualquer consenso social ou de suporte científico”.

A APFN recebeu com “grande preocupação” a notícia da aprovação na Assembleia da República da lei de autodeterminação de género nas escolas, em comunicado enviado ao Estado com Arte Magazine.

“A família é a primeira escola de qualquer criança e que os pais são os principais responsáveis pela educação, devendo a escola ser entendida como colaboradora nesse campo. A educação para os valores é uma questão muito sensível e na qual a família deve ter sempre primazia”, esclarece a APFN.

A associação de famílias refere que o Estado, por via do Ministério de Educação e das Escolas, não tem legitimidade para impor às famílias modelos de valores que, por serem “fundamentalmente ideológicos, carecem de qualquer consenso social ou de suporte científico”.

Afirmam que “não cabe à APFN tomar uma posição a favor ou contra questões ideológicas”, mas cabe-lhe, sim “denunciar vigorosamente qualquer tentativa do Estado de usurpar aos pais o seu direito natural de serem os primeiros educadores dos seus filhos, sobretudo no campo dos valores.”

Entidades  como a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, também revelaram uma  preocupação sentida pela APFN quanto a esta matéria  Dizem que  quem conhece o ambiente escolar e quem está diariamente em contacto com alunos, professores e pessoal não docente – não foi ouvido neste processo, reforçando a ideia de que um Governo em final de mandato está a tentar aprovar medidas ideológicas “sob pressão”.

A APFN junta-se às muitas vozes da sociedade civil que já pediram ao Presidente da República que vete uma medida que remete as famílias para “o lugar de espetadores” na educação dos seus próprios filhos.

Alertam que esta lei foi aprovada na mesma semana em que se soube que o chefe de Gabinete do ministro da Educação afirmou publicamente que “o papel da escola é retirar as crianças à família para as fazer crescer na comunidade”, sem que ninguém do Governo tenha vindo a público denunciar ou lamentar o sucedido.

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