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Cristina Clara. Fado e choro do brasil criam ambiente tropical no Alentejo

Marta Roque

A segunda noite do Alentejo World Heritage Festival teve o momento alto com Cristina Clara, uma revelação do fado numa fusão com o chorinho brasileiro.

Cristina Clara apresentou músicas como o single “Real e Abstracto” de lançamento do álbum “Lua Adversa” (2021),  e outros temas, alguns ainda não gravados. A cantora nesta noite em Cabrela explora a multi-culturalidade que se vive em Lisboa, numa autêntica viagem tropical no palco alentejano.

A  artista multifacetada musicalmente, com gosto pelo fado e chorinho do brasil, na segunda noite do Alentejo World Heritage Festival, sábado passado, cria ambiente tropical, no palco da pequena vila de Cabrela, Montemor-o-Novo.

Faz uma homenagem a Hermínia Silva com uma nova letra para o “Fado da Melancia”. Canta  “A Moleirinha da Beira Baixa”, um tema tradicional associado à moagem do trigo, canção ensinada pela sua mãe. Usa o som de uma mesa para fazer a percussão, Cristina Clara decidiu cantá-lo acompanhando-o com o ritmo das canções de trabalho de Espanha, “panaderas”.

Interpreta o fado “Madrugada de Alfama” da autoria do compositor David Mourão Ferreira e do compositor Alain Oulman , que escreveram vários poemas para a Amália.

Alfama, é para Cristina o bairro das casas de fado, onde aprendeu muito e cresceu como artista, onde se cruzam muitas músicas do mundo como a diversidade do Festival.

As Batucadeiras Freireanas Guerreiras causam a sensação africana da noite, animam o público com o som tropical de cabo verde.

A noite teve ainda a presença do musico Daniel Bernardes e Nancy Vieira que cantou mornas com Cristina Clara.
Na noite quente africana esteve ainda presente o Embaixador de Cabo Verde em Lisboa, o Presidente da Câmara Municipal de Montemor, o vereador da Cultura, e ainda o Presidente da Região de Turismo do Ribatejo e Alentejo.

O Alentejo World Heritage Festival 2024 é um evento organizado pela Lar Doce Ler e pela Égide – Associação Portuguesa das Artes. O Festival contou também com o apoio do Município de Montemor-o-Novo, bem como da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, da Freguesia Cabrela e da Casa das Letras – Bed&Books.

A revelação de Cristina Clara

Em 2021 Cristina Clara lançou o disco de estreia “Lua Adversa”, distribuído pela Sony Music, um álbum que explora sobretudo as afinidades entre a canção urbana de Lisboa e o choro brasileiro, com músicos convidados de Portugal e Brasil.

Cristina Clara, cantora e autora, é natural do Minho. Quando se mudou para Lisboa, começou a estudar teatro, voz e canto enquanto exercia cardiologia no Hospital de Santa Maria.
Fez parte do Grupo de Teatro de Letras onde interpretou uma jovem fadista que recebeu o convite do fadista Marco Rodrigues para cantar pela primeira vez numa casa de fados.

Desde então já atuou em palcos como o Fado Café no NOS Alive, Há Fado no Cais no CCB ou no Teatro da Trindade.
O foco de Cristina Clara é sempre expandir a sua linguagem musical e poética e promover diálogos por vezes improváveis através da música.

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