Na passada terça-feira, dia 11 de março, Portugal assistiu, incrédulo, ao culminar de uma crise política que resultou em eleições legislativas antecipadas – umas eleições que, supostamente, ninguém queria, mas que, efetivamente, ninguém impediu.
Ao sentimento de incredulidade pelo triste espetáculo a que se assistiu na Assembleia da República, digno de uma Reunião Geral de Alunos e indigno de um país que precisa de estabilidade, junta-se, naturalmente, um sentimento de desânimo pelo país ter sido arrastado para mais meses de bloqueio e indecisão.
Desde 2019 que nenhuma Legislatura é concluída. De lá para cá, foram três eleições – vamos, agora, para a quarta -, apenas um ano depois das últimas. Sim, eleições são o expoente máximo da democracia, mas as pessoas estão cansadas. Depois de votarem pela mudança em 2024, querem agora estabilidade. E tudo isto no pior momento possível. Num contexto de forte pressão internacional, em que a incerteza paira sobre a Europa (e sobre o Mundo), exigia-se um país focado e não paralisado em mais uma campanha eleitoral.
Percebida a irresponsabilidade, importa identificar os culpados.
Primeiro o CH, o ator secundário neste filme, que, enredado nos seus próprios escândalos, exponenciou esta crise sem tirar proveito. Forçou uma moção de censura que não serviu para nada: nem salvou a face, nem mudou o rumo dos acontecimentos. Poderia ter sido responsável e votado a favor da moção de confiança, mas o espírito abutre e o infinito populismo passaram à frente dos interesses das pessoas.
Depois, o PS, que, em vez de exigir explicações a Luís Montenegro, de fazer perguntas concretas e permitir o escrutínio, inventou uma Comissão Parlamentar de Inquérito com um único objetivo: desgastar politicamente o primeiro-ministro e “cozinhá-lo em lume brando”. O PS fez tudo menos agir com a responsabilidade que se exige de um partido fundador da democracia.
Por fim, o Governo e o PSD, que, desde o primeiro momento, não explicaram o que tinham de explicar, não desataram os nós que ligavam Luís Montenegro a um potencial conflito de interesses e que, mesmo depois de duas moções de censura rejeitadas, insistiram em “esticar a corda” com uma moção de confiança. Acreditaram que o PS recuaria. Não seria a primeira vez que Pedro Nuno Santos recuaria. Mas não recuou. Quando perceberam o erro político grave, já era tarde. À 25ª hora tentaram tudo, e o que se seguiu foi o tal triste espetáculo na Assembleia da República, perante o visível desalento de um primeiro-ministro e o desespero de um líder parlamentar.
Este é o eixo da irresponsabilidade: CH, PS e PSD! Apenas a Iniciativa Liberal se juntou às pessoas e ao interesse nacional, apelando ao bom senso de dizer não a eleições antecipadas. Provavelmente contra o seu próprio interesse partidário, mas de forma firme, a Iniciativa Liberal mostrou ser responsável. Sim, Luís Montenegro tem explicações a dar. Sim, a Iniciativa Liberal não concorda com muitas das políticas seguidas pelo Governo.
Mas, sim, existiam condições para evitar as eleições que o país real não queria. Importa reforçar que a responsabilidade e a coerência da Iniciativa Liberal não devem ser confundidas com medo ou com outra “coisa” qualquer – a Iniciativa Liberal vai sozinha a eleições e vai crescer. Vamos com a confiança de quem esteve sempre do lado certo.
Vamos com a determinação de quem quer tirar Portugal do ciclo de instabilidade e estagnação económica. E, claro, esperamos que os portugueses nos deem esse reconhecimento.


