Albert Camus. O absurdo da vida ou a miserabilidade da existência humana

Susana Mexia

Albert Camus é considerado o filósofo do absurdo, na medida em que não encontra na vida sentido algum e o universo é totalmente indiferente às questões existenciais da humanidade.

Nas diferentes dimensões essenciais do ser humano, não só a nível individual, na constante luta do homem com a sua existência, mas também colectiva, face às várias rebeliões populares contra a ordem instituída e sobre tudo acerca do pós-II guerra mundial, das tiranias existentes e violentamente praticadas, o autor insiste na premência duma reflexão profunda em defesa da liberdade e da dignidade do Homem.

Todas as grandes acções e todos os grandes pensamentos têm um raciocínio irrisório, e o mundo do absurdo extrai a sua riqueza, mais do que qualquer outro, deste nascimento miserável.
Camus pretende mostrar como é fútil e vazia a vida humana, baseada em ciclos repetidos (comer, dormir, trabalhar…). Tudo sem sentido, sem um fim, um propósito, mas subjugado a uma pesada e cinzenta indiferença, apatia ou mera aceitação.

Para o autor, simplesmente aceitar que a vida é um absurdo, que não tem sentido no vasto universo em que vivemos impele-o a viver com entusiasmo, paixão, gerar obras de arte, desfrutar… única maneira de estar neste mundo.

O absurdo não precisa de ser uma provação; também existe a possibilidade de que seja algo redentor. A aceitação é a verdadeira rebelião contra o absurdo das nossas vidas.
Considerando existir diferentes maneiras de reagir ao absurdo da vida, Camus vê o suicídio como uma forma bem-sucedida, embora revele uma certa cobardia em enfrentar-se com o absurdo da nossa existência. A perda do um suposto sentido individual da vida, que para uns é o seu trabalho, para outros um ente querido ou a saúde, é motivo suficiente para acabar com a vida. Se o que é a nossa razão de viver desaparece, passa a ser a nossa razão de morrer.

Outra maneira de reagir ao absurdo da existência é o que Camus define como “suicídio filosófico”. Do suicídio filosófico surge a ideia de que existem outros mundos metafísicos, mundos como o “paraíso dos cristãos”, mundos em que reencarnaremos o que de certa forma, nos livra de pensar que a vida presente é vã e sem sentido.
Entre as ideias metafísicas, ele também incluiu utopias como o comunismo, a que chamou “religião sem Deus”, o que lhe valeu a expulsão do partido comunista.

“A unidade do mundo, que se não fez com Deus tentar-se-á que se faça, doravante, contra Deus.”
Toda a moral se baseia na ideia de que um acto tem consequências que o justificam ou o anulam. Um espírito impregnado de absurdo julga, apenas, que essas consequências devem ser consideradas com serenidade.

Embora para ele haja responsáveis, não há culpados. Assim, recorre à experiência passada para fundamentar as suas acções futuras.

Nas diferentes dimensões essenciais do ser humano, não só a nível individual, na constante luta do homem com a sua existência, mas também colectiva, face às várias rebeliões populares contra a ordem instituída e sobre tudo acerca do pós-II guerra mundial, das tiranias existentes e violentamente praticadas, o autor insiste na premência duma reflexão profunda em defesa da liberdade e da dignidade do Homem.

Recordemos que a Argélia fez parte do Império Turco Otomano e foi conquistada pela França em 1830. A sua independência foi alcançada em 1962, após uma violenta guerra de oito anos liderada pela Frente de Libertação Nacional (FLN)1234.

A França teve de reconhecer a independência da Argélia em 5 de julho de 1962. Após a independência, o país enfrentou vários confrontos entre o governo e grupos opositores, que perduram até hoje.

O homem é sempre o homem inserido no seu contexto histórico, político, cultural e familiar.

Colocado a meio caminho, entre a miséria e o Sol, Albert Camus nasceu em Novembro de 1913, perto de Mondovi, na província de Constantina, na Argélia Francesa e morreu 4 de janeiro de 1960 (46 anos) em Villeblevin, França. O pai tinha falecido na Batalhe de Marne, em 1914. Teve uma infância paupérrima em Argel a qual se viria a agravar com uma tuberculosa precocemente revelada.
Camus foi Nobel de Literatura em 1957, as suas principais obras são: O Estrangeiro, A Peste, O Mito de Sísifo e O Homem Revoltado.

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica