Incêndios. Figura de Jovem Empresário Rural quer criar compromisso entre governo e instituições

Marta Roque

Para fazer face a uma política de prevenção de incêndios em floresta os jovens agricultores apelam ao Governo da importância de operacionalizar a figura JER, do Jovem Empresário Rural, que atravessa vários setores de atividade, deve apoiar-se pelo menos em quatro Ministérios (Economia e Coesão Territorial, Agricultura e Mar, Ambiente e Energia, e Cultura, Juventude e Desporto). O objectivo é atingir uma “intervenção robusta e coordenada a nível nacional e local”. Um compromisso que une Governo, autarquias, universidades, associações e setor financeiro.

Um Pacto proposta pelos jovens agricultores que permite desburocratizar, acompanhar tecnicamente e apoiar com eficiência e eficácia a instalação de jovens empresários (agrícolas e rurais), devolvendo confiança e futuro aos territórios rurais. O Portugal Rural precisa de novos agricultores, novos empreendedores, de novas dinâmicas junto das pessoas. Precisamos de juventude no coração do mundo rural – para inovar na agricultura, dinamizar o turismo, investir em serviços, desenvolver tecnologias e proteger os ecossistemas.

Os incêndios voltam a devastar o centro e norte do País. Não são apenas hectares de mato e floresta que ardem, são vidas, empresas e sonhos que desaparecem em minutos. Agricultores, pequenos empresários e populações vivem no limite da resiliência, muitos já não acreditam. E cada vez menos jovens estão dispostos a investir em territórios condenados à repetição deste ciclo de destruição.

“Não temos mais tempo a perder. Os incêndios serão cada vez piores e mais arrasadores, e são apenas um dos encargos da nossa inação,” diz a direção da AJAP em comunicado.

Para a AJAP a situação é clara: “ou assumimos este Pacto, ou arriscamos perder definitivamente o Portugal Rural.” Recordamos que, durante anos a fio, foi produzida muita legislação florestal e rural, que não passou de “discussões em vão”. Uma parte difícil de colocar em prática, outra não se ajusta a realidades locais, e contém partes que claramente afastam (com restrições e coimas pesadas) as pessoas destes territórios. “Necessitamos de operacionalizar e concretizar mais, seguramente legislar menos, e não politizar o que em consciência ninguém quer perder, o Portugal Rural,” defende a AJAP.

A AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal tem alertado propõe a implementação urgente do Pacto – Inovação Portugal Rural

Esta ação tem como objetivo revitalizar os territórios rurais, apoiar as suas gentes e criar dinâmicas económicas e sociais que impulsionem o desenvolvimento.

“Temos sido, ao longo dos anos, uma das principais vozes de alerta contra este “esvaziar” dos territórios rurais e promotores de soluções concretas. Falamos de mais de 75% do País, que vem assistindo a um abandono das atividades económicas, que luta contra o despovoamento, contra o envelhecimento populacional, e assiste à saída dos seus jovens que procuram melhores soluções de vida,” sublinham.

Com poucos Jovens Agricultores a entrar no setor agroflorestal (devido a toda uma complexidade que se arrasta ao longo de anos), vários foram os estudos da AJAP (alguns em parceria), que conduziram a que outros jovens pudessem ser atraídos para estes territórios. “Demorou mais de uma década, e só após inúmeras pressões, finalmente surgiu, em janeiro de 2019, a criação da Figura do Jovem Empresário Rural, pelo Decreto-Lei n.º 9/2019, de 18, de janeiro. O ciclo parece repetir-se, pois já passaram mais de cinco anos, sem que a sua operacionalização se concretize”, justificam os agricultores.

“Nesse sentido, apelamos ao Governo, porque temos a firme convição, da importância de operacionalizar esta figura JER. Sabemos que sendo uma figura que atravessa vários setores de atividade, deve apoiar-se pelo menos em quatro Ministérios (Economia e Coesão Territorial, Agricultura e Mar, Ambiente e Energia, e Cultura, Juventude e Desporto), pois é necessária uma intervenção robusta e coordenada a nível nacional e local”. Não têm “a menor dúvida, que todo o esforço político necessário por parte do Governo, para a sua implementação, será devidamente compensador para os portugueses, para os territórios rurais e para o País.”

Salientam que a Estratégia Nacional ‘Água que Une’ e o ‘Pacto Florestas 2050’ “são efetivamente duas excelentes iniciativas estruturais de visão de curto e médio prazo para Portugal, que o anterior Governo lançou ao País.”  Entendem que é necessário mobilizar e motivar pessoas nestes territórios, daí a proposta do Pacto – Inovação Portugal Rural, defendida por várias organizações da esfera privada e pública.

A AJAP, e vários parceiros, reforçam e propõem a implementação urgente do Pacto – Inovação Portugal Rural , um compromisso que une Governo, autarquias, universidades, associações e setor financeiro.

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