MELHORES LIVROS DE AUTORES PORTUGUESES 2025 

Pedro Gaspar

Este foi um ano cheio de grande produção literária de escritores portugueses. Da fiçao, ao romance histórico, da teologia às memórias de família, dos infantis ao género young adult.

Apresentamos algumas obras da escolha da nossa redação: entre consagrados e jovens escritores o melhor é escolher um para oferecer este Natal.

Uma boa safra literária nacional de 2025 à mão, numa livraria perto de si ou on-line.

Estefânia – A Rainha Virgem, Isabel Stilwell, Planeta, maio

A história de Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, Rainha de Portugal, focando-se na sua perspetiva secreta através do seu diário, onde expressava o seu amor por D. Pedro V, os seus desapontamentos com o casamento, o sufoco perante as crises políticas e a luta para ser rainha, revelando a verdade por detrás dos jornais e a tragédia iminente que marcou a sua vida.

Inventário da Solidão – João Tordo, Companhia das Letras, outubro

Ao fim de quase quarenta anos de silêncios e ausências, um antigo grupo de colegas da faculdade reúne-se na Irlanda para um último adeus a Rebecca Connelly, cuja morte, súbita e inesperada, traz ao de cima fantasmas há muito enterrados.

De todos a mais intrépida, mas também a mais inconstante, ninguém poderia imaginar o rumo que a vida de Becca levaria, nem a devastação que traria na sua esteira. Ninguém, exceto o rapaz que a amou durante os tempos de faculdade – o narrador, agora sexagenário, que tenta ainda fazer sentido de todos os caminhos que trilharam o seu destino.

Será que na revisitação desse passado de segredos encontrará resposta para a solidão que o consome? Conseguirá ele, com a morte do seu primeiro amor, apaziguar-se com o rapaz que foi e o homem que se tornou?

Para os Caminhantes Tudo é Caminho – José Tolentino Mendonça, Quetzal, novembro

Chegará o momento em que compreenderemos que sabedoria é amar tudo. É saudar os dias sem esquecer a importância das horas; contemplar as grandes torrentes sem deixar de agradecer cada gota de orvalho; estimar o pão sem, no entanto, esquecer o sabor das migalhas.

Chegará a ocasião de compreender que o importante não é só contar a viagem, mas testemunhar também o contributo dos passos; elogiar não só a meta, mas a lição de cada etapa, sobretudo quando chegámos a duvidar que o caminho conduzisse a alguma parte.

Morreste-me (Edição Especial) – José Luís Peixoto, Dublinense, novembro

Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai mas, sobretudo, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora.

Toda o livro é um diálogo com o pai e a sua ausência, apelando tanto aos motivos da recordação como da necessidade de sobreviver à perda.

Foi durante esse doloroso luto, mergulhado em sofrimento mas, também, transportado por uma melancolia salvadora, que José Luís Peixoto escreveu um livro que se tornou referência para leitores em todo o mundo que, partilhando ou não a sua experiência, se reconhecem numa obra intensa, poderosa, cheia de ternura e compaixão. Raramente a literatura portuguesa produziu um livro tão partilhado.

Nem Todas as Árvores Morrem de Pé – Luísa Sobral, Dom Quixote, fevereiro

Este é um romance sobre duas mulheres unidas pela desilusão e pelos cinquenta anos mais tristes da história da Alemanha. Com uma estrutura muitíssimo original e uma galeria de personagens inesquecível, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé marca a estreia fulgurante de Luísa Sobral na ficção.

Emmi, que nasceu pouco antes de Hitler ascender ao poder na Alemanha, perde o pai na guerra e tem uma adolescência difícil, trabalhando desde muito cedo para ajudar em casa. É num bar aonde vai com os amigos depois do trabalho que conhece Markus, um homem de Berlim Leste que lhe escreve cartas maravilhosas e por quem se apaixona perdidamente.

A Noite da Tempestade – Filipa Amorim, Suma de Letras, abril

Sofia não é a mesma desde que Vicente morreu. Desesperada por se agarrar à memória do irmão, muda-se para a casa de férias em Santa Cruz, onde ele se isolava do mundo e revia incansavelmente os casos que não conseguiu resolver na Polícia Judiciária. Só que a casa não esconde apenas casos antigos.

Perseguir a verdade sempre lhes esteve no sangue, e apesar de defender que o tempo em que a sua vida pessoal e profissional se fundiam acabou, Sofia não vai conseguir virar costas ao caso de Liliana Ribeiro nem a Santa Cruz, onde está disposta a ficar até ao fecho da investigação… mesmo que esta coloque a sua vida em perigo.

Napoleão, O Camaleão – Filipa Fonseca Silva, Porto Editora, maio

O Napoleão é um camaleão muito curioso. E teimoso!

A mãe pediu-lhe que não saísse das árvores, porque no chão há monstros e muitos outros perigos. Mas Napoleão não lhe deu ouvidos. E agora? O que irá acontecer?

Na sua primeira obra para crianças, Filipa Fonseca Silva traz-nos uma história sobre coragem e amizades improváveis, enquanto leva os pequenos leitores a refletir sobre a importância de respeitar a Natureza e os animais em perigo de extinção.

E não é que o Napoleão existe mesmo? A história nasceu de um episódio real, quando Filipa passeava com a família perto de uma praia no Algarve.

Filha da Louca – Maria Francisca Gama, Suma de Letras, maio

Um romance familiar carregado de dor, enganos e loucura. Esta é a história de uma família: de um pai e marido que não sabia ser melhor, de uma filha que se esforçava por cumprir todos os papéis e de uma mãe e mulher que, aos olhos de todos, era louca.

Uma narrativa comovente sobre como a infância e a adolescência se entranham em nós, sobre o peso do passado e da família, e como a morte de quem nos antecede cria um misto de vazio e liberdade. Filha da louca é, acima de tudo, um romance sobre como julgamos os outros e os diminuímos a rótulos, sem sabermos quem são ou do que precisam.

O Que Fazemos Com Este Amor? – Maria Inês Almeida, Singular, maio

E se existisse um encontro capaz de mudar tudo? Não um simples acaso, mas o encontro – aquele que nos vira do avesso, que nos obriga a olhar para dentro e a questionar tudo o que tomávamos como certo. Maria e Erik não procuravam nada, mas encontram-se.

Depressa o tal acaso revela ser algo mais, e estes dois jovens cruzam-se num momento que lhes sabe inexplicavelmente a destino. Será isto aquilo a que todos chamam de “amor à primeira vista”?

Uma história de amor moderna, madura e absolutamente cativante e a estreia absoluta da autora no género young adult.

O Hospital das Alfaces – Pedro Chagas Freitas, Oficina do Livro, março

Uma história emocional sobre três gerações (avô, pai, filho) entrelaçadas por experiências em hospitais, explorando a efemeridade da vida e o poder transformador do amor, que atua como cura e salvação, mesmo nos momentos mais dolorosos, mostrando que é possível continuar amando e vivendo após a perda. Um livro devastadoramente bonito, que nos cura e nos faz olhar para o que realmente importa.

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