Festival Latitudes 2026. Onde a Literatura de viagens cruza-se com a performance musical

Estado com Arte Magazine

Óbidos voltou a ser, durante quatro dias, um “mapa-mundo” da palavra, afirmando-se como um dos mais relevantes encontros literários de viagens em Portugal. Entre os dias 16 e 19 de abril, autores, pensadores, artistas, leitores e entusiastas da palavra partilharam palcos, livrarias, museus e telas, e dividiram inquietações, visões e conversas profundas sobre o mundo contemporâneo.

O Latitudes foi um ponto de convergência onde ideias, geografias e vozes se cruzaram com uma intensidade rara, a edição 2026 do Festival Latitudes – Literatura e Viajantes destacou-se por uma programação sólida e ambiciosa, desenhada ao detalhe, que transformou cada conversa num território de descoberta.

Da Literatura à performance musical

Identidade, geopolítica, cultura e o lugar da literatura no século XXI, foram alguns dos eixos centrais de um
programa que combinou mesas-redondas, performances, música, live drawing, entrevistas, lançamentos e
debates temáticos. Mais do que assistir, o público foi desafiado a participar, a escutar e a interpelar.

Mas o Latitudes não se ficou pelas palavras – escritas, cantadas e declamadas. As exposições que ocuparam
a vila revelaram-se um dos grandes trunfos desta edição, criando pontes entre a literatura e as artes visuais.
Em diferentes espaços, estas propostas ampliaram a experiência do festival, oferecendo novas camadas de
leitura e interpretação, num diálogo contínuo entre diferentes formas artísticas.

A adesão do público confirmou o crescimento do evento. Sessões com casa cheia, ruas vivas, e uma
presença constante de visitantes reforçaram a ideia de que o festival já conquistou um lugar firme no
calendário cultural. Óbidos afirmou-se, uma vez mais, como um pólo criativo em expansão, um território
onde a cultura acontece e se reinventa.

Um “aeroporto literário”

Entre os elementos mais marcantes desta edição esteve o conceito de “aeroporto literário”. O paralelismo
ganhou corpo na própria ocupação do festival, que transformou a vila num espaço de partidas e chegadas.
Cada local tornou-se uma escala, cada conversa um destino, convidando o público a percorrer diferentes
itinerários culturais numa experiência imersiva.

Para o presidente da autarquia, Filipe Daniel, o impacto é claro: “O Festival Latitudes é hoje uma referência
incontornável no panorama cultural nacional e internacional. A qualidade dos convidados, das exposições e
da programação confirma Óbidos como um território de criação, pensamento, e de encontro entre
culturas”.

Também o vereador da Cultura, Ricardo Duque, sublinhou a força do conceito desta edição, apontando o
“aeroporto literário” como uma tradução eficaz da missão do festival: “Cruzar geografias, ideias e vozes”. “A
diversidade da programação e a resposta do público às diferentes propostas validaram a maturidade
crescente do projeto, e esse foi também o nosso objetivo”.

O curador do Latitudes, José Luís Peixoto, destacou “a dimensão do evento, descrevendo-o como uma viagem sem deslocação física”. “O Latitudes foi um convite a viajar sem sair do lugar, onde a literatura funcionou
simultaneamente como ponto de partida e de regresso”, numa experiência que transformou a leitura numa
descoberta contínua de mundos e perspetivas e foi, seguramente, uma das melhores edições.

A organização destaca o sucesso global do evento, sublinhando o impacto cultural e mediático alcançado,
bem como o contributo do festival para a afirmação de Óbidos enquanto destino literário de referência.
O Festival Latitudes reforça, assim, “o seu posicionamento como plataforma internacional de diálogo e de
criação, com a ambição de continuar a crescer e a atrair novos públicos, nas próximas edições”, refere a organização.

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