Rui Gonçalvez

A JUSTIÇA AO SERVIÇO DA POLÍTICA

Rui Gonçalves

E a pergunta sacramental que já toda a gente faz é muito simples e exige uma resposta cabal, de que é que a AD e o Chega estão à espera para darem execução ao voto emanado das urnas já há seis meses e fazerem a revisão da Constituição caduca que por aí existe?

“Não sei se estamos perante a judicialização da política ou perante a politização da justiça, a ordem dos fatores é arbitrária, mas quando os tribunais se assumem como a oposição a um governo, evidentemente que o estado de direito não existe, a fraude democrática está em prática e não é possível acreditar em nada nem em ninguém. De que é que a AD e o Chega estão à espera para darem execução ao voto emanado das urnas já há seis meses e fazerem a revisão da Constituição caduca que por aí existe?”

O partido socialista teve em Portugal cinquenta anos em que dispôs do aparelho do Estado a seu bel-prazer, evidentemente com a concordância dos partidos da extrema-esquerda e com a complacência do PSD, que embora intercalasse no governo, nunca se afirmou contrário à ocupação do aparelho por militantes, simpatizantes, amigos e familiares socialistas.

Em boa verdade, nestas matérias de uso e abuso, o bloco central sempre funcionou e o conluio entre ambos os partidos é evidente. E quando falamos em “aparelho do estado”, isto implica ter o poder e o consequente “direito” à nomeação de simpatizantes seus para os mais variados organismos, que embora se denominem como independentes e até como “órgãos de soberania”, ao serem nomeados, fica implícito nas suas decisões, o favorecimento de quem o nomeou, isto é assim porque o ser humano é tendencialmente amigo do seu amigo e porque foi escolhido com base no facto de ter um pensamento próximo do poder vigente. Sim, é isso, estamos a falar, também, de tribunais, juízes, tribunal constitucional, etc….

A mudança na política portuguesa está em curso, as eleições ainda vão sendo livres, os cidadãos ainda podem votar em quem querem, perceberam que andam há cinquenta anos a serem ludibriados, menorizados, estupidificados, desprezados, por uma classe política esmagadoramente incapacitada e incompetente e que usa o tal “aparelho do estado” e os recursos desse Estado, em seu proveito e em proveito dos mais próximos e mais obedientes, com a corrupção a vingar e a crescer em todas as latitudes, desde o governo, aos organismos intermédios, empresas públicas, autarquias, empresas municipais, institutos, fundações, agremiações, etc…, onde os ditos partidos controladores do “aparelho” encaixam os tais amigos. A infestação é generalizada, a promiscuidade está instalada e os objetivos são sempre os mesmos, usar, aproveitar e explorar até dar.

Ao surgir uma força política que se assume contra esse sistema, o Chega pela mão de André Ventura, o povo, que só é estúpido até alguém lhe abrir os horizontes, rapidamente percebeu que tinha de mudar o azimute eleitoral e em apenas seis anos o crescimento do Chega fez tremer todo o sistema instalado, que não sabe até onde pode chegar esta hecatombe que se abateu sobre a política portuguesa.

Mas o temor de perderem o controlo dos interesses instalados é generalizado. Os partidos da extrema-esquerda estão em acelerado processo de extinção, o PS desce à vista de todos, o próprio PSD nunca teve resultados tão baixos e já percebeu que não vai voltar aos tempos áureos das maiorias absolutas do Cavaco e restou-lhes gritar em uníssono, “aqui d´el rei que estes tipos do Chega são burros, são incultos, são racistas, xenófobos, fascistas, etc…”. Não sei, nem ninguém sabe se o Chega no poder resolve todos os problemas do país, adivinhar seria bruxaria, mas certo é que os que por lá passaram em cinquenta anos, não resolveram uma ponta de nada. Isso é factual.

Sem a força política de outrora, com a esquerda pela primeira vez sem maioria parlamentar para continuarem a destruir o país em seu proveito, os sinos tocaram a rebate e como a democracia deles não permite a diferença, veio a comunicação social corrupta, muito bem paga pelos governos socialistas, tentar aniquilar o novo partido que está a pôr em causa a arquitetura política montada, que permitiu a todos usufruírem dos bens do orçamento do estado em proveito próprio. Mas a comunicação social não conseguiu conter a força do voto popular e “eles” lá continuaram a crescer.

Como foram incapazes de controlar os danos, vieram agora os tribunais fazer a oposição ao governo, que ensaiou algumas medidas menos alinhadas com os esquerdistas, nomeadamente em relação aos imigrantes e a umas minorias que pela mão do PS tomaram neste país predominância sobre a maioria de um povo, que em muitos casos já nem o Natal pode comemorar.

Os cartazes do André Ventura relativos aos ciganos, que dizem apenas a verdade que qualquer criança de cinco anos reconhece, foram mandados retirar por uma qualquer juíza cursada pela bênção socialista e a lei da imigração, que na verdade a AD nem queria, mas que foi forçada a fazer pela força do Chega, foi chumbada pelo aglomerado socialista que é o tribunal constitucional. Sim, agora, tudo o que não agrada ao pântano socialista é classificado como “inconstitucional” e a lei é chumbada porque eles não a querem.

Não sei se estamos perante a judicialização da política ou perante a politização da justiça, a ordem dos fatores é arbitrária, mas quando os tribunais se assumem como a oposição a um governo, evidentemente que o estado de direito não existe, a fraude democrática está em prática e não é possível acreditar em nada nem em ninguém.

E a pergunta sacramental que já toda a gente faz é muito simples e exige uma resposta cabal, de que é que a AD e o Chega estão à espera para darem execução ao voto emanado das urnas já há seis meses e fazerem a revisão da Constituição caduca que por aí existe?

Rasgar a Constituição que existe e fazer uma nova, não é apenas uma opção, é uma imposição do voto popular.

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