A Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada após a Segunda Guerra Mundial, pretendia ser um baluarte face aos totalitarismos existentes, mas actualmente, o conceito de direitos humanos alterou-se substancialmente, tornando-se o poderoso instrumento de um novo totalitarismo mais suave, não
condenando os opositores a trabalhos forçados, ou campos de extermínio, mas apelidando-os de reacionários, homofóbicos ou preconceituosos.
Grégor Puppinck, doutor em Direito e Director do European Centre for Law and Justice (ECLJ), com sede em Estrasburgo, fiel defensor da biologia humana, no seu livro “Os Direitos do Homem Desnaturado” editado pela Principia, em 2019, analisa o contraste entre o conceito de Direitos Humanos em 1948, e as
ideologias recentes que adicionam novos direitos, como o direito ao aborto o qual implica a negação do direito à vida, o direito à criança, negando o direito da criança a ter pai e mãe, etc., violando, colidindo e tentando ignorar a realidade biológica.
A dignidade humana é um elevado conceito que revela o valor intrínseco do Homem como um ser superior aos outros seres. Na perspectiva cristã, o Homem tem dignidade porque foi criado à imagem de Deus, possuindo uma alma imortal, e sendo a única criatura dotada de racionalidade e liberdade. Na perspectiva
materialista, a dignidade é-lhe retirada, colocando o homem ao nível de qualquer espécie animal. Admite que o corpo humano, incluindo os órgãos e processos reprodutivos, nada mais são do que a consequência de uma evolução biológica resultante do acaso, tornando legítimas todas as formas de sexualidade e
todas as transformações da reprodução humana que a tecnologia viabiliza, originando então, novos direitos contra a natureza.
Estas recentes tomadas de posição, reflectem a ambição do homem, que se considera no direito de se transformar e de se superar, ser criador de si próprio ou decretar a morte do próximo. O critério de justiça torna-se relativista, recorre a um novo processo dialéctico, impondo a solução que considera mais
avançada de acordo com os desejos individuais ou dos poderes que representam.
Eis-nos chegados ao Transhumanismo, um movimento cultural, intelectual e científico, que visa substituir a evolução natural do ser humano, transformando-o através do desenvolvimento de tecnologias amplamente disponíveis, nomeadamente a nanotecnologia, a biotecnologia, a tecnologia informática e as
teorias do conhecimento (neurociências). Com estes elementos, prevêem aumentar as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas humanas, eliminar a doença, potenciar o prazer, travar o envelhecimento e até dar morte à morte.
A corrente transumanista, herdeira do iluminismo, do positivismo e do evolucionismo, pretende “fabricar” seres humanos mais aperfeiçoados, criando uma nova realidade, portadora duma inteligência artificial brilhante, robots omniscientes e máquinas todo-poderosas que ultrapassem a condição humana. Todavia, este plano não se reduz a um hipotético benefício de saúde para a humanidade, mas tem como fim investigar e fazer experiências com seres vivos, incluindo seres humanos, sem qualquer limite ético.
O Transhumanismo é considerado por alguns críticos, como o movimento que tem as ideias mais perigosas do mundo, as aspirações mais arrojadas, imaginativas e clivantes para a humanidade.
O conceito de antropologia e evolução natural, serão suplantados por uma “miragem” ideológica de poder criar novos seres, numa ousada atitude prometeica, onde impera o desejo individual infinito, sob forma de um novo totalitarismo: o desejo tornado lei ou o império do desejo.


