Título: Bodies. Género: Drama, Crime, Sci-Fi. País de Origem: Reino Unido. Plataforma: Netflix Criador: Paul Tomalin. Actores principais: Amaka Okafor, Kyle Soller, Shira Haas, Tom Mothersdale e Jacob Fortune-Lloyd. Nota: 6.5
Recensão
Está em exibição, na plataforma Netflix a mini-série de ficção científica Bodies, uma adaptação da banda desenhada DC Vertigo criada pelo já falecido Si Spencer.
Realizada por Paul Tomalin, esta série conta com um elenco encabeçado por Stephen Graham, a que se juntam nomes como Amaka Okafor, Kyle Soller, Shira Haas, Tom Mothersdale e Jacob Fortune-Lloyd.
A história passa-se em Londres e divide-se em quatro linhas de tempo, na época victoriana de finais de século XIX, nos bombardeamentos alemães da II Guerra Mundial, no agora e num futuro próximo cerca de 25 anos para a frente. Em todas essas linhas há um corpo idêntico encontrado por um inspector da Scotland Yard num beco da zona de Whitechapel.
Estes paradoxos temporais trazem consigo as estéticas e temas anexados aos seus tempos, corporizados pelos protagonistas de cada história. A primeira viagem no tempo lida com sociedades secretas e a homossexualidade reprimida. No segundo fluxo, são as convenções do Noir, que vão desde o chapéu e casaco até à corrupção eà paranoia. O tempo presente lida com a família monoparental e as dificuldades entre o emprego de polícia e presença parental e o espaço temporal futuresco traz-nos uma distopia onde as deficiências físicas são colmatadas com o desenvolvimento tecnológico.
Embora estes períodos não se toquem de forma directa há, no entanto, aspectos que os unem, nomeadamente o desenvolvimento científico que tem início numa fotografia de 1890 e culmina numa máquina do tempo em 2053.
A forma como Bodies começa e se desenrola é bastante eficaz no convite que faz ao espectador. Não conta a história toda e vai juntando as peças com algum rigor e sentido, mas sempre a “pedir” o próximo episódio. O aspecto técnico da divisão de ecrã, assegura a ideia de continuidade e ritmo e assim mantém a atenção.
As personagens são bem interpretadas e o destaque vai para a cara mais famosa, Stephen Graham que tem o papel de arquivilão presente em todas as histórias e que age como fio condutor onde todos se ligam.
Apesar de se apresentar como uma série de viagem no tempo, Bodies é uma história sobre amor e desamor, sobre as consequências de infâncias malnutridas e o ego.
Tal como outras histórias com paradoxos, Bodies levanta algumas questões típicas do uso de uma máquina do tempo, o que é obviamente uma opção criativa. Ainda assim existem alguns plot-holes que podiam ser evitados uma vez que estamos a falar de uma produção bastante ambiciosa.
Porém, Bodies é no geral uma série empolgante e apesar de ser uma adaptação de novela gráfica, não existem super-heróis, todas as personagens são imperfeitas e consegue manter o interesse até ao oitavo episódio.


