Professor doutor 

Miriam Assor, Jornalista

António Levy Gomes, o rosto completo da contestação do complexo processo que envolve o tratamento das gémeas luso-descendentes que receberam um remédio para a atrofia espinal  milionário –  4 milhões de euros – e duas cadeiras de rodas eléctricas, até pode ter toda a razão do mundo,  e de outro mundo, sobre o assunto que, de facto, se apresenta (muito) mal contado,  contudo, é preciso ter, desculpe, tino na boca.

Não pode olhar para a cara de Marcelo Rebelo de Sousa. Chama António Costa mafioso, autocrático e que actua pela calada da noite.  Quem não merece adjetivação pejorativa é Pedro Passos Coelho. O furor pelo político é tamanho ao ponto de o  diretor da unidade de Neuropediatria do Hospital de Santa Maria apelar à organização de uma manifestação em frente à sua casa e à porta do PSD.

Era presença assídua no Facebook, mas, ou saiu da rede,  ou  Mark Zuckerberg  bloqueou-o. Passou a figura pública, quiçá, por iniciativa alheia.  O grupo tem gente que lhe bate as palmas e lhe louva a coragem, outros, Deus, até põem em causa se o homem é médico.  É, sim, e a falecida sua mãe, Maria de Lourdes de Quinhones Levy , foi a segunda mulher a doutorar-se em Portugal, uma verdadeira pioneira na genética e na pediatra social.

António Levy Gomes, o rosto completo da contestação do complexo processo que envolve o tratamento das gémeas luso-descendentes que receberam um remédio para a atrofia espinal  milionário –  4 milhões de euros – e duas cadeiras de rodas eléctricas, até pode ter toda a razão do mundo,  e de outro mundo, sobre o assunto que, de facto, se apresenta (muito) mal contado,  contudo, é preciso ter, desculpe, tino na boca.

Nas redes sociais escreve que já não suporta ver o Presidente da República, apelida-o de diabólico e mefistofélico  e que o Primeiro-ministro demissionário é um  opressor,  faz coisas de forma secreta, sem que ninguém perceba,  traiçoeiramente, além de pertencer à máfia. O que pretende um doutor  com tanta responsabilidade com este palavreado, não é um enigma gramatical. Mas o que será? Às vezes, nas entrevistas que tem dado, sempre com tom soprano enervado,  parece que está em campanha eleitoral.

É um fenômeno. Há Professores Drs. que lhes sobra relógio para postarem comentários ao estilo pistoleiro.

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