Ano Novo

Alexandra Tavares de Moura, Ex-deputada e secretária nacional das MS-ID (mulheres socialistas – igualdade e direitos)

2023 foi, sim, um ano atípico nos desenlaces políticos. Estaremos a assistir à viragem do panorama político português?

Se por um lado é expectável apontar a guerra na Ucrânia, o conflito Israel – Hamas, ou os fenómenos resultantes das alterações climáticas como factos que marcaram o ano de 2023, juntam-se a estes, outros acontecimentos que não têm consequências tão imediatas, mas que são igualmente preocupantes: é o caso dos resultados eleitorais na Argentina, ou nos Países Baixos ou ainda, a recente tentativa da mudança da Constituição Italiana pela Primeira-ministra Giorgia Meloni, ao recuperar uma regra do tempo do regime fascista de Mussolini.

Juntamos a globalização do ChatGPT, que até os “boomers”, como eu (é como os meus filhos me caracterizam), passámos a usar, sem pensarmos muito sobre os efeitos da utilização da inteligência artificial em todas as áreas.

Por cá, ficámos a saber que os mais novos, aqueles de quem se diz que estão afastados da política, têm opinião e encontram novas formas de a demonstrarem. Falo dos episódios do grupo climáximo que são, nada mais, nada menos, do que a evidência de que as causas unem.

A estes movimentos juntam-se os grupos mais ou menos organizados, com uso e abuso de linguagem populista, e que cavalgam os descontentamentos, as angústias de quem já não acredita no estado como entidade que redistribui riqueza de forma justa, para catapultar as erupções sociais.

2023 foi, ainda, marcado pela luta dos professores que querem ver o seu tempo de carreira contabilizado na totalidade, tendo usado novas formas de luta, mostrando que afinal os sindicatos ainda têm peso (novos sindicatos, é certo!).

Continuámos a assistir ao braço de ferro entre os profissionais de saúde e a tutela, demonstrando, mais uma vez, a força dos lobbies não regulados.

E como se tudo isto não nos chegasse para criar instabilidade suficiente, fomos assaltados pela demissão do Primeiro-ministro, na sequência de umas buscas que até agora nada demonstraram, tendo o Presidente da República decidido dissolver a Assembleia da República e com isto, antecipado em dois anos as eleições legislativas de um governo eleito por maioria absoluta.

Cereja no topo dos acontecimentos bizarros foi o pai Marcelo ter despachado como Presidente da República um pedido do seu filho para o governo tratar. Esqueceu-se que quem assina o pedido tem o seu nome de família. Afinal, no melhor pano cai a nódoa.

Enfim… registe-se que não ouvimos as vozes do costume a exigir cabeças…

Pelo caminho tivemos a visita de Sua Santidade o Papa, que juntou, numa enorme manifestação de fé, povos vindos de todos os cantos do mundo, no famoso palco de 5 milhões de que já ninguém fala.

2023 foi, sim, um ano atípico nos desenlaces políticos. Estaremos a assistir à viragem do panorama político português?

Veremos como vota o povo. O seu voto irá demonstrar se acredita, ou não, na Democracia tal como ela existe! Saibam os partidos fundadores do sistema democrático ler o sentimento e desejo de todos e todas os que por cá vivem, pagam impostos e votam.

Bom Ano!

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