24ª hora

Alexandra Tavares de Moura Ex-deputada e secretária nacional das MS-ID (mulheres socialistas – igualdade e direitos)

Depois de uma disputa com as vicissitudes que sempre existem nestes processos, iniciar um novo ciclo, mantendo a marca PS como referência, criando novas linhas programáticas, mantendo unido um partido que, tem, sempre teve, pluralidade no pensamento e na ação não é uma tarefa fácil. 

Apanhar um comboio que circula e que por qualquer razão precisa de um novo condutor, implica “agarrar” o comboio em andamento, chegar à carruagem da frente, controlar o comboio, dar-lhe uma nova velocidade e conhecer a linha em que circula.

É o que se passa com o novo secretário geral do Partido Socialistas, Pedro Nuno Santos.

O comboio conduzido por António Costa (que como já perceberam tem a minha admiração pelas capacidades intelectuais e estratégicas demonstradas) deixa um legado imenso: a recuperação dos rendimentos e a devolução da vida económica ao país; a resiliência, na e contra, todas as adversidades que a pandemia trouxe; a fugacidade com que manteve a rota do crescimento da economia sem depauperar as famílias; a devolução de dignidade às empresas e famílias em tempos de guerras internacionais com impacto direto nas economias; a criação de mais de 600 000 postos de trabalho; o crescimento de 62% do salário mínimo nacional, o crescimento da dotação do SNN em mais de 4 mil milhões de euros; a negociação em concertação social para garantir o crescimento do salário médio; a assunção de que a habitação é um problema e desta forma assumir a necessidade de se desenhar uma lei de bases e negociar em sede de PRR, com o apoio para a construção de 32 000 habitações públicas, são, alguns, resultados de 8 anos de governação.

Mas é bom lembrar que a isto se soma a “revitalização” da marca PS, pois não podemos escamotear que passámos momentos difíceis depois da queda do governo de Sócrates. E as pazes fizeram-se sem que nunca se tenha colocado em causa o legado de Sócrates, que agora muitas vozes reconhecem como fundamental em áreas, como a das energias renováveis.

Sim! Reparou-se o nome do partido socialista. Sim! Juntou-se a avaliação, que o povo reconheceu com o seu voto, dando maioria absoluta nas legislativas de 2019.

Voltando ao comboio…

Depois de uma disputa com as vicissitudes que sempre existem nestes processos, iniciar um novo ciclo, mantendo a marca PS como referência, criando novas linhas programáticas, mantendo unido um partido que, tem, sempre teve, pluralidade no pensamento e na ação não é uma tarefa fácil.

Garantir que o conhecimento, a experiência, as diferenças de pensamentos estão dentro é o primeiro desafio que está por ganhar, pese embora o sinal dado nas listas dos órgãos internos.

O acordo para conciliar algumas partes da moção de orientação nacional de José Luís Carneiro, é outro bom sinal, que não me lembro de ter existido no passado. Mas será preciso mais.

O equilíbrio entre o romper com o passado, com o que não se concorda, sem criar mácula, e criar um novo ciclo colocando os melhores quadros do PS ao serviço do país, é um dos desafios que agora cai nos ombros do novo Secretário-geral, Pedro Nuno Santos.

Seguir-se-ão outros. Todos exigentes. Todos complexos. Os próximos dois meses são o primeiro teste em que se pode demonstrar que todas estas mudanças conseguem ser saudáveis e, por isso, replicadas no país. Um país por todos. Um país para todos. Um Portugal inteiro.

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