CHORINHO FALSO 

Miriam Assor, Jornalista 

No  choro na Assembleia da República as lágrimas da deputada tinham a possibilidade de serem totalmente evitadas se o Hamas não castigasse as suas crianças, as suas mulheres, os seus homens, os seus idosos  com uma política assassina. Chore, sim, chore,  pelo governo tirano sanguinário instalado em Gaza que conduz ao fim do povo palestiniano.

Lenços de assoar não ajudam. Choramingar metades seca a razão. Devia ter chorado, e muito, pelas miúdas palestinianas que são obrigadas – é isso – obrigadas – a casar na adolescência e chorar pelos garotos com idade para brincar com carrinhos, mas que exibem armas com orgulho e honra.

Chorar, também, e bastante pela inexistência da condição feminina; raparigas e mulheres são lixo desclassificado em Gaza e arredores. É, senhora deputada do Livre, um partido preso a uma visão irrealista de que a liberdade em Gaza é senhora e que os direitos das mulheres são realidades inquestionáveis. Não é, não. Desengane-se, senhora. Chore, chore, chore muito que motivos não lhe faltam, infelizmente.

As mulheres não podem escolher os seus namorados, quanto mais maridos, o feminismo só existe em Israel, por muito que isso lhe faça chorar de raiva. Forçadas a dizer sim muitíssimo novas, as miúdas se disserem  que não,  há permissão de serem espancadas ou mortas ou deserdadas pela família. Chorar diante deste cenário é pouco.

Chore igualmente pelos abusos sexuais que acontecem em Gaza. Dava-lhe jeito, quiçá, que os crimes fossem protagonizados pelos soldados israelitas, chore de novo, de raiva, senhora deputada. Uma vida de ditadura de terrorismo, embalada  no berço do anti-semitismo, nascido e criado ainda no ventre, ensinado na escola como disciplina principal, e que legitima o massacre de 7 de Outubro de 2023, a Isabel Mendes Lopes não parece ser suficiente para chorar.

No  choro na Assembleia da República as lágrimas da deputada tinham a possibilidade de serem totalmente evitadas se o Hamas não castigasse as suas crianças, as suas mulheres, os seus homens, os seus idosos  com uma política assassina. Chore, sim, chore,  pelo governo tirano sanguinário instalado em Gaza que conduz ao fim do povo palestiniano.

Aproveito os olhos para largar o pranto pelos  manda-chuva terroristas que vivem à grande e à gaulesa em hotéis de todas as estrelas do céu, algures, mastigam  bife do lombo com molho de natas e passeiam-se em automóveis de luxo, enquanto o povo não tem manteiga para pôr no pão, ou sequer pão.  Chore, e muito.

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