Cooperativa de habitação em Lisboa é aprovada em reunião de Câmara

Marta Roque

O primeiro concurso do Programa Cooperativas 1ª Habitação para a construção de 18 habitações no Lumiar, do executivo de Carlos Moedas na Câmara de Lisboa, foi aprovado em reunião de Câmara 6a feira passada. A proposta da liderança PSD/CDS-PP foi viabilizada com a abstenção da oposição.

A cooperativa habitacional vai ser construída num edifício de habitação e requalificação na rua António do Couto, no Lumiar, um terreno próximo do Estádio José de Alvalade (Sporting). É o primeiro classificado de um concurso camarário com 12 projetos de habitação sustentável para edifícios de habitação e espaços públicos, com objetivo de trabalhar a ideia da nova Bauhaus europeia.

A CML cede o terreno para 18 habitações, com o projeto de arquitetura já aprovado, esta operação prevê um investimento total da cooperativa de 3,83 milhões de euros e um encargo médio por habitação de 213 mil euros (valores com IVA), para a construção de 18 habitações – cinco T1 (146 mil euros cada), nove T2 (216 mil euros cada) e quatro T3 (289 mil euros cada), com 22 lugares de estacionamento.

Segundo a autarquia de Lisboa a estimativa de custo de empreitada de obra é de acordo com o previsto no anteprojeto, sendo que as obras de urbanização estão a cargo do Município de Lisboa. Não estão incluídos os custos com a gestão e fiscalização de obra, os custos administrativos e custos de financiamento, que estão a cargo do conjunto de pessoas da cooperativa.

Em setembro vai abrir outro concurso de cooperativa para quem estiver interessado, ou seja um grupo de 17 pessoas podem constituir uma cooperativa e candidatarem-se para ficarem com o terreno no Lumiar e com a aprovação do projeto por parte da CML, a cedência camarária do terreno tem a duração de 90 anos. A cooperativa tem de arranjar o dinheiro para a construção deste projeto, adianta Filipa Roseta ao Estado com Arte Magazine.

A última construção de cooperativas de habitação na capital foi em 1998. “Na década de 90 a autarquia de Lisboa fez várias cooperativas de habitação em Lisboa, mas desde então deixaram de ser construídas”, refere Filipa Roseta sobre a diminuição das políticas publicas da habitação no modelo de cooperativas. A construção do bairro de Telheiras é um exemplo deste modelo de cooperativa de habitação.

“As Cooperativas de habitação são uma alternativa aos custos elevados de construção”, admite Filipa Roseta. Cidades como Copenhaga na Dinamarca, Viena de Áustria, bem como cidades da Alemanha, na Suíça ou em Inglaterra, têm aderido ao modelo de cooperativas de habitação há já alguns anos como forma de agilizar a problemática da habitação, o “que tira muito do valor da especulação imobiliária. O valor do terreno é mais variável, o custo da construção é uma variável que varia menos”, explica a Vereadora da Habitação da CML à margem da exposição “Nova Bauhaus Imagina Lisboa”, no Centro Comercial Colombo.

No âmbito da política europeia New bauhaus, a “nova estética europeia” de Ursula Ven Der Leyen, a CML está a promover e a coordenar a exposição itinerante “Lisboa Imagina a Nova Bauhaus Europeia”, que está a dar a conhecer o resultado do desafio lançado à comunidade projetista: encontrar melhores soluções de projetos para construir uma Lisboa mais sustentável e inclusiva.

A mostra de trabalhos inaugurada a 5 de abril, na Sala do Risco na Rua do Arsenal, agora encontra-se patente ao publico no Colombo, seguindo posteriormente para as Faculdades de Arquitetura, Técnico e ISCTE.

O conceito do movimento artístico da Bauhaus na Alemanha dos anos 20, foi recuperado por Ursula Ven der Leyen na pandemia, que criou a “Nova Bauhaus Europeia” (NEB), uma iniciativa de política e financiamento da UE lançada pela Comissão Europeia em 2021, para promover soluções sustentáveis com vista a uma transição verde do ambiente da construção e estilos de vida das cidades.

Procura soluções que não sejam apenas sustentáveis, mas também inclusivas e bonitas, respeitando a diversidade de lugares, tradições e culturas na Europa e fora dela.

Maior sustentabilidade: Habitação, Escolas, Espaços Públicos

 

A CML lançou 12 concursos de habitação para habitação e espaços públicos, com objetivo de trabalhar a ideia da nova Bauhaus europeia. “Um apelo de Ursula Ven der Leyen quando deu os dinheiros do PRR para imaginar uma cidade melhor: mais bela, inclusiva, mais sustentável. Ideias que fazem parte do pacto ecológico europeu, de consumir menos energia e que sejam mais eficientes, metas da UE para atingir uma arquitetura verde.

Todos os projetos que a câmara fizer tem que fazer melhor, introduzimos no programa do concurso este principio em que pedimos aos arquitetos para fazer uma arquitetura mais sustentável, não é apenas um projeto piloto, mas todos os projetos. Queremos que toda a construção da cidade seja mais inclusive, sustentável e bela”, diz Filipa Roseta ao Estado com Arte Magazine. Dá como exemplo o projeto do Martim Moniz, construído com a participação das pessoas uma ideia que está a ser aplicada a reabilitação das escolas.

Filipa Roseta revela que a CML já lançou mais projetos, depois destes 12 que estão a ser agora apresentados na exposição itinerante, a CML quer dar continuidade a projetos para a cidade com maior sustentabilidade.

Ursula von der Leyen, a reeleita Presidente e da Comissão Europeia, anunciou a 14 de outubro de 2020, o lançamento do Novo Bauhaus Europeu (New European Bauhaus) como um movimento que deverá assumir uma natureza experimental e interdisciplinar, contribuindo para o reforço de uma “nova estética europeia”, com dimensões artística, cultural, científica e ambiental, centrada nas pessoas e na renovação urbana num quadro renovado de transição ecológica e sustentabilidade.

O Novo Bauhaus Europeu em 2021 veio adicionar uma dimensão cultural ao Pacto Ecológico, contribuindo para acelerar a transição verde através de mudanças concretas no terreno que integrem os princípios da NBE em matéria de estética, sustentabilidade e inclusividade.

Dotado de um orçamento específico do FEDER no valor de 450 milhões de euros, a IUE é um instrumento inovador de apoio à vertente urbana da política de coesão para 2021-2027. Pelo menos 8 % dos recursos do FEDER atribuídos a cada Estado-Membro devem ser investidos em projetos e prioridades selecionados pelas próprias cidades, com base nas respetivas estratégias de desenvolvimento urbano sustentável.

A Nova Bauhaus Europeia pretende envolver as pessoas nas cidades, concentrando-se nos bairros com fornecimento de ferramentas e orientação, oferecendo soluções sob medida para diferentes comunidades, incorporar os pontos de vista de várias partes interessadas no processo de conceção e implementação. Ou seja, a UE quer dar prioridade às pessoas e à inclusão social, mas também à economia para aumentar a competitividade e a autonomia estratégica da UE.

A Comissão Europeia pretende com o conceito “Novo Bauhaus Europeu” incluído no Pacto Ecológico Europeu, oficialmente aprovado em 2020, promover uma “experiência cultural tangível na qual cidadãos de todo o mundo possam participar.”

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