C´est dommage

Susana Mexia, Professora de Filosofia

Símbolo dos Jogos Olímpicos da Modernidade, a Chama Olímpica faz parte de um ritual realizado desde a Grécia Antiga, é um dos símbolos dos Jogos Olímpicos, e evoca o Mito de Prometeu* que teria roubado o fogo da forja de Hefesto para o entregar aos mortais.

Quando Zeus, o deus dos deuses, descobriu ficou terrivelmente irado e o titã Prometeu foi punido com um dos piores castigos da mitologia grega. Foi acorrentado no cimo do Monte Cáucaso por Hefesto, deus da metalurgia.

Diariamente uma águia surgia para comer o seu fígado durante a noite, o órgão regenerava-se e, no dia seguinte, o pássaro voltava para o devorar novamente. Por ser imortal, Prometeu ficou acorrentado por muitas e muitas gerações, até que o herói Héracles o libertou.

Durante a celebração dos Jogos Olímpicos na Antiguidade, em Olímpia, cidade na Grécia que recebia as competições, mantinha-se aceso um fogo que ardia nos altares dos seus principais templos, enquanto decorressem os jogos, como no Templo de Hera.

A técnica utilizada pelas sacerdotisas do templo para acender o chamado “fogo puro” requeria o uso da skaphia, uma espécie de espelho côncavo que converge a luz do sol num só lugar.

O fogo tem como significado o conhecimento e a possibilidade da transformação da natureza. Podemos considerar esta passagem de modo simbólico, recordando como o fogo foi um marco importante na história da humanidade, da sua evolução e consequente adaptação humana. Além disso, o fogo tem ainda um simbolismo espiritual de purificação.

A mitologia grega é rica em exemplos, advertências e ensinamentos que, não obstante os milénios que nos separam destas “histórias” pagãs, muito temos a aprender com elas.

Foi pena no início das Olimpíadas em Paris estas origens históricas terem sido ignoradas e confundidas com a Criação. Zeus, Prometeu e outros deuses, foram abusivamente substituídos por um quadro que aludia à última ceia de Jesus Cristo, no cenáculo, com os seus Apóstolos.

Oxalá os deuses gregos não se vinguem dos autores da troca, ignorando o verdadeiro simbolismo da tocha olímpica, que nos remete para a Grécia antiga, mais precisamente, para a cidade de Olimpia, junto da qual habitavam as divindades e nada tem a ver com Jerusalém e o seu património artístico, cultural e religioso.

C´est dommage, foi pena não terem compreendido a diferença de símbolos, os seus significados e consequentes significado histórico, mitológico, simbólico e geográfico.

Foi pena, foi pena…

*Ésquilo nasceu cerca de 525 a. C., numa família nobre de Elêusis e foi autor de várias tragédias. Participou nas célebres batalhas de Maratona, Salamina e Plateias. Escreveu cerca de oitenta peças de teatro, mas só chegaram até nós Sete: As Suplicantes, Os Persas, Os Sete contra Tebas, A Trilogia Oresteia  (Agamémnon, Coéforas, Euménides) e Prometeu Agrilhoado.

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