Um relatório do Ministério do Interior francês, divulgado no inicio deste ano, refere que, apesar de se ter registado uma queda nos ataques anti-cristãos, houve, pelo segundo ano consecutivo, um aumento significativo no número de incêndios, roubos e actos de vandalismo em igrejas e outros edifícios religiosos.
O julgamento do ataque terrorista na Basílica de Nice, Brahim Aouissaoui, condenado a prisão perpétua trouxe para a ordem do dia a questão da violência contra os cristãos em França, nomeadamente os incêndios em locais de culto.
Um relatório divulgado no início deste ano pelo Ministério do Interior francês, refere que, apesar de se ter registado uma queda nos ataques anti-cristãos, houve, pelo segundo ano consecutivo, um aumento significativo no número de incêndios, roubos e actos de vandalismo em igrejas e outros edifícios religiosos.
No ano passado registaram-se quase meia centena de incidentes que contrastam com 38 casos no ano de 2023, ou seja, um aumento de mais de trinta por cento.
Um desses casos, em Setembro do ano passado, foi reportado pelo portal de notícias do Vaticano. O incêndio na Igreja da Imaculada Conceição, em Saint-Omer, no norte de França, provocou a destruição do telhado e da torre sineira do edifício que data de 1845. O Bispo de Arras deslocou-se ao local para “presidir a um momento de oração”, tendo oferecido o seu apoio e consolo à comunidade local “diante da emoção suscitada pela destruição da Igreja”.
Para a reparação da igreja incendiada o próprio município local decidiu lançar uma subscrição pública, escreve o Vatican News.
Brahim Aouissaoui: condenado a prisão perpétua pelo ataque terrorista na Basílica de Nice
O Tribunal Especial de Paris condenou ontem, quarta-feira, dia 26, Brahim Aouissaoui, a prisão perpétua pelo ataque terrorista na Basílica de Notre Dame de Nice, em que foram assassinadas três pessoas, duas mulheres e o sacristão da Igreja.
Depois de uma primeira audiência, a 10 de Fevereiro, em que foram ouvidos dois peritos psiquiátricos, o Tribunal interrogou o jovem tunisino, de 25 anos, sobre os factos que ocorreram na manhã de 29 de Outubro de 2020.
Depois de num primeiro momento ter afirmado que não se lembrava de nada, na sessão que decorreu na passada segunda-feira, dia 24, Aouissaoui justificou o ataque como uma acção de vingança em nome dos muçulmanos. “Todos os dias são mortos muçulmanos. Todos os dias matam muçulmanos e não se importam. Não mostram empatia por eles”, afirmou em árabe, sendo traduzido por um intérprete. Disse ainda que “o Ocidente mata cegamente” e que “a vingança é um direito e uma verdade”, embora tenha sempre insistido perante o Tribunal de que não é um terrorista, mas apenas um muçulmano.
No ataque, em 29 de Outubro de 2020 ao templo católico, o jovem tunisino usou uma faca de cozinha tendo tirado a vida a Nadine Devillers, de 60 anos; Simone Barreto, brasileira, 44 anos, mãe de três filhos; e Vincent Loquès, 54 anos, sacristão, duas filhas. As duas mulheres tinham ido à Igreja para rezar. O sacristão tinha aberto as portas do templo, acendido as velas, assegurado que tudo estava em ordem…
Brahim Aouissaoui foi condenado a prisão perpétua por ter esfaqueado estes três fiéis, e por outras seis tentativas de assassinato.
Os incêndios em igrejas em França fazem recordar também o trágico fogo que devastou a famosa e histórica Catedral de Notre-Dame, em Paris, em 15 de Abril de 2019 e que levou a uma complexa obra de restauro que permitiu a reabertura do templo no início de Dezembro do ano passado. Uma reabertura que levou até à Catedral parisiense inúmeros chefes de Estado, bispos e convidados.
O Papa Francisco enviou uma mensagem de satisfação em que não esqueceu o trabalho de centenas de operários nem a solidariedade internacional que permitiu custear as despesas da obra. “Que o renascimento dessa admirável igreja possa constituir um sinal profético da renovação da Igreja na França”, afirmou o Santo Padre na sua mensagem.


