Depois do famoso apagão que vivemos no início da semana, assistimos ao debate que, em teoria, deveria clarificar as diferenças entre os programas eleitorais dos partidos com mais intenções de voto: o Partido Socialista e o Partido Social Democrata. Mas terá sido este um debate esclarecedor quanto às propostas de cada um? Ou terá ficado marcado, sobretudo, pelos episódios mais críticos dos últimos tempos?
A segunda hipótese parece mais próxima da realidade. Não apenas por isso, mas também porque fomos confrontados, no mesmo dia do debate, com mais uma notícia — desta vez, sobre sete clientes da empresa agora detida pelos filhos do Primeiro-Ministro, que recebem avenças mensais. E também porque percebemos, durante o apagão ibérico, que o Governo e o seu líder permaneceram “apagados” nas primeiras horas. É nas crises, e na forma como são geridas, que se revelam os verdadeiros líderes.
E como dizem os outros, “não me sai da cabeça” a primeira comunicação ao país numa situação nova e envolta em incerteza. Disse o primeiro-ministro, e cito: “Lamentamos muito este episódio que aflige o que é o dia-a-dia dos portugueses… sabemos que a origem não teve lugar em Portugal…”.
Bem… lamentável foi, na verdade, a incapacidade de acalmar o país e de fornecer orientações básicas aos portugueses.
Ora, uma vez que o debate acabou por centrar-se nos modelos de liderança, partilho convosco algumas notas sobre os principais eixos do programa do Partido Socialista que não se limita a corrigir os erros recentes da coligação de direita. Propõe uma reorientação de fundo das prioridades nacionais, assente em três eixos fundamentais: reforço do Estado Social, modernização da economia e coesão territorial e social.
Crescimento com justiça
Ao contrário do que tantas vezes se repete, crescimento económico e justiça social não são objetivos incompatíveis — e este programa prova-o. A proposta socialista alia disciplina orçamental a um conjunto de medidas concretas para melhorar a vida das pessoas: redução do IVA em bens essenciais, regresso do IVA zero na alimentação, valorização dos salários e estímulos ao investimento. É uma visão económica que não esquece quem vive do seu trabalho, nem quem quer investir com responsabilidade.
Um Estado Social que não deixa ninguém para trás
Mais do que um pilar da democracia, o Estado Social é, neste programa, uma força motriz de modernização. A gratuitidade da educação pré-escolar e das creches, o reforço das licenças parentais, a inclusão da saúde mental e oral no SNS e a progressiva redução do tempo de trabalho são medidas que respondem, com ambição, às exigências de um país mais justo e mais equilibrado.
Sustentabilidade e coesão: duas faces da mesma moeda
A justiça ambiental e territorial aparece aqui como um compromisso sério, e não como mera retórica. A aposta nas energias renováveis, na agricultura sustentável, no mundo rural e na qualidade de vida urbana revela uma abordagem integrada e responsável. Não há futuro sustentável sem um território coeso.
Reforçar a democracia num tempo de ameaças
Vivemos tempos difíceis para as democracias. O populismo cresce onde o descontentamento se acumula e as soluções escasseiam. Por isso, importa agir: mais autonomia local, uma Justiça mais próxima, combate à precariedade e promoção da transparência salarial são algumas das propostas que visam recuperar a confiança dos cidadãos e devolver-lhes um lugar central na vida pública.
Um Portugal com voz no mundo
Portugal precisa de continuar a ser um parceiro credível na Europa e no mundo. O programa do PS aposta numa diplomacia ativa, na valorização das comunidades portuguesas no estrangeiro e numa cooperação reforçada com os países lusófonos. É uma política externa alinhada com os valores europeus, mas firmemente ancorada na nossa identidade.
Uma resposta clara às novas gerações
O futuro constrói-se com os jovens — e para os jovens. O programa inclui medidas como o Ano Zero do IRS Jovem, apoios à conciliação entre trabalho e vida familiar e investimentos em inovação social, mobilidade e teletrabalho. Não se trata apenas de prometer: trata-se de preparar o país para um novo ciclo, com políticas pensadas para quem vai cá estar nas próximas décadas.
Sem atalhos, com visão
O que o Partido Socialista propõe não são promessas fáceis nem slogans vazios. É um programa sólido, coerente, preparado para enfrentar os desafios do presente com os olhos postos no futuro. Um futuro que se constrói com estabilidade, ambição e responsabilidade.
E o futuro, sejamos claros, não começa amanhã. O futuro, é já.


