É nos corredores que se percebe que esta cultura se mantém. Só uma mudança cultural levará ao desaparecimento destas expressões que não são mais do que a demonstração da misoginia disfarçada. Os partidos são sistemas que representam a sociedade civil. Por isso, não podemos baixar os braços! Queremos o reforço das estruturas concelhias. Queremos mais mulheres em lugares de decisão. Queremos alternância de género nos primeiros lugares.
Não foi há muito tempo que António Guterres relembrou que as quotas de género são necessárias. A expressão que usou foi “Fui primeiro-ministro e líder de um partido político. Sei que quotas, metas e incentivos funcionam” (25 de outubro de 2023). Foi com Guterres que iniciámos o percurso no Partido Socialista e no País.
Depois de uma alargada e longa discussão interna, Guterres estabeleceu quotas nas listas para as legislativas. É nesse momento que, com base nos resultados eleitorais, a Assembleia da República assiste a uma mudança paulatina nos seus corredores.
Segue-se a aprovação da Lei da Paridade que, até ser aprovada, foi rejeitada e caducou 5 vezes!
Estávamos em 2006 e já o Partido Socialista aquecia os motores da igualdade.
Começámos ontem!
A antiga estrutura do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas começa a ganhar peso e a incomodar.
Chegadas a 2018, sob a presidência de Elza Pais, mudou-se o nome da estrutura – Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos (MS-ID) e consagrou-se na alteração estatutária, a autonomia. Criaram-se as concelhias MS-ID, com o objetivo claro de dar visibilidade e lugares de poder às mulheres, que passaram a ter assento – obrigatório – em lugares de decisão.
Já são mais de 4000 mulheres que passaram a estar no palco político.
Estamos a construir esta rede, hoje!
Mas sabemos que há inúmeras mãos que querem alterar (para ser simpática) esta realidade. Dizem que a estrutura devia estar aberta a homens. Até podia ser positivo, não tivéssemos nós a certeza que voltaríamos aos mínimos da participação nas listas dos anos noventa.
Ou afirmam que as mulheres não podem ocupar os lugares por quotas. Mas sim por mérito. O que supõe que os homens estão todos por mérito, e nesse caso as mulheres têm menos competência que os homens. É isso?
Ou melhor ainda, que apontam, para contrariar a necessidade de ter estruturas, para mulheres que estão em determinados lugares. “Elas chegam lá ” dizem. Acontece que estes casos, são o que chamamos de “token”, mulheres colocadas por homens para mascarar a realidade. Consigo citar algumas…
Ah! E aquele argumento fantástico “não há mulheres”. Quem o diz? Quem não consegue, não sabe, ou mesmo não quer, que haja mulheres! E por isso não as integra. Não as capacita. Não as empodera.
É nos corredores que se percebe que esta cultura se mantém.
Só uma mudança cultural levará ao desaparecimento destas expressões que não são mais do que a demonstração da misoginia disfarçada.
Os partidos são sistemas que representam a sociedade civil.
Por isso, não podemos baixar os braços!
Queremos o reforço das estruturas concelhias. Queremos mais mulheres em lugares de decisão. Queremos alternância de género nos primeiros lugares. Queremos listas paritárias.
Sim!
As Mulheres Socialistas conseguiram com a força do voto, e com os governos do PS trazer para a lei e para a sociedade as maiores alterações intentadas na área da Igualdade: lei da paridade; quotas nas empresas cotadas em bolsa; igualdade salarial entre mulheres e homens; quotas nos lugares de direção da administração pública; acesso livre à procriação medicamente assistida; revogação do retrocesso da lei da Interrupção voluntária da gravidez, partilha obrigatória da licença parental, consagração da violência doméstica como crime público, e garantimos que em todas as áreas a lente de género fosse introduzida no desenho das políticas públicas.
Com a certeza de que não podemos perder este legado, queremos que o caminho da igualdade que começámos ontem e pelo qual lutamos hoje, garanta que o futuro é igualdade.
Guterres tem razão. Elza Pais sabe-o!


