Vitimismo – um apelo às emoções e aos sentimentos

Susana Mexia, Professora de Filosofia

Vitimismo chique ou esteticamente agradável passou a ter muito sucesso nos meios de comunicação social, pois atrai a atenção e a simpatia de que estas pessoas anseiam. No entanto, tem duas consequências claras: imobilidade social e complacência política.

Scott Lyons, psicólogo americano e autor do livro Addicted to drama, diz que no Ocidente estamos a viver a epidemia do drama, em parte, por causa das redes sociais e da consequente atenção que se lhes dá. “O mundo inteiro é um palco para representar o papel do vitimista e ser recompensado com likes.”

O vitimista é uma pessoa que se sente sempre alvo da fúria, de algo ou alguém, procurando isentar-se das suas responsabilidades, atribuindo a culpa de tudo o que lhe acontece a terceiros, recusando admitir ou aceitar os seus próprios defeitos, faltas ou fragilidades físicas, psíquicas, sociais ou morais.

Transferindo a culpa para o outro, para a sociedade, para a mãe, para o pai, para o professor, o que à partida lhe parece ser muito mais confortável, revela-se numa fraqueza e incapacidade de se fortalecer e construir a sua própria personalidade.

O vitimista é uma pessoa extremamente egocêntrica, vive dos e para os seus infortúnios e injustiças de que se sente acometido, procura chamar a atenção em busca dum falso conforto psicológico.

A vitimização é, por vezes, uma forma de atrair simpatia, enfatizando uma opressão e marginalização social, “a vítima é o herói do nosso tempo”. Sentir-se vitimizado tornou-se um sinal de prestígio, uma chamada de atenção, ou uma forma de intolerância ou impotência para enfrentar com segurança e autoestima os grandes desafios da vida.

O vitimista foge da responsabilidade de ser autor de sua própria história. O constante padecimento e o prazer que ele nisso adquire impedem-no de desenvolver uma personalidade forte e madura, permanecendo estagnado e incapaz de reagir. Esta atitude não defensiva e introvertida é sinal claro de fraqueza, pois empobrece os sentidos, a alma e a capacidade de discernir ou pensar.

Vitimismo chique ou esteticamente agradável passou a ter muito sucesso nos meios de comunicação social, pois atrai a atenção e a simpatia de que estas pessoas anseiam. No entanto, tem duas consequências claras: imobilidade social e complacência política.

Scott Lyons, psicólogo americano e autor do livro Addicted to drama, diz que no Ocidente estamos a viver a epidemia do drama, em parte, por causa das redes sociais e da consequente atenção que se lhes dá. “O mundo inteiro é um palco para representar o papel do vitimista e ser recompensado com likes.”

“As histórias que geram tristeza, raiva ou medo são as mais compartilhadas. E elas entram sorrateiramente nas nossas vidas, começamos a recriá-las, replicar esses cenários e imitar essa linguagem nas nossas postagens nas redes sociais, mesmo que não estejamos submersos nessas experiência pessoais e vitimizantes”, diz Lyons. Sentir-se vítima acabou por se tornar um sinal de prestígio, porém, o exponencial aumento de “vítimas da cultura vitimista”, revelando uma certa infantilidade e irresponsabilidade generalizada na sociedade, permite que os políticos e o Estado se introduzam ou intrometam na privacidade das pessoas, negando-lhes a sua capacidade de acção e autodeterminação para tomarem conta das suas próprias vidas, o que poderá conduzir a um totalitarismo indesejável e pernicioso.

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