Abre-se ao homem um horizonte sem fim, num mundo onde a piedade e o desinteresse eram desconhecidos. Brota uma nova atitude de vida, uma compreensão da pessoa humana, um espírito de tolerância e de dignidade extensivo a ricos e pobres, livres e escravos, cultos e humildes, gentios e pagãos.
Em Roma imperava Octávio César Augusto e era Roma que reinava no mundo. A cidade de César impunha-se com toda a sua exuberância e respeito. A ordem, o direito, a civilização e a paz faziam dela o ponto fulcral e nevrálgico do máximo poder sobre todo o seu império, ligado pelas excelentes ”vias romanas”. Na Judeia reinava Herodes, o Grande, estava no septuagésimo quarto ano de seu reinado, marcado desde a primeira hora pelo signo da violência e do assassínio; Quirino governava a Síria, sob a autoridade suprema do Imperador de Roma, César Augusto.
Roma concentrava todos os bens, todos os homens, todos os deuses, a sua civilização parecia ter-se elevado a um ponto que já nada mais se poderia ambicionar ou desejar.
Eram tempos de inquietação moral e social, de declínio de valores, em que a ética, o bem e a verdade não faziam parte do vocabulário e tão pouco a vida do homem tinha algum valor.
A depravação, a maldade e a traição eram uma constante, os hebreus estavam dominados pelos romanos e ansiavam libertar-se deste jugo pesado e violento. As religiões existentes não eram compatíveis com o seu monoteísmo, pelo que viviam na esperança da vinda do Messias, anunciado pelos profetas ao longo dos séculos e, Virgílio, poeta romano do ano 70 a. C. na IV Écloga refere um menino que devia vir salvar a humanidade.
Neste cenário paganizado dá-se uma revolução, a maior de todos os tempos na história da humanidade – “ Em Belém brilhou uma estrela, qual ponto fixo, ambicionada por Arquimedes, agora presente na religião”
Ao contrário dos deuses romanos, que eram interesseiros e vingativos, este novo Deus ama os seus filhos, mesmo os mais pecadores, e do alto da cruz dá o exemplo rogando pelo perdão para os seus algozes.
Abre-se ao homem um horizonte sem fim, num mundo onde a piedade e o desinteresse eram desconhecidos. Brota uma nova atitude de vida, uma compreensão da pessoa humana, um espírito de tolerância e de dignidade extensivo a ricos e pobres, livres e escravos, cultos e humildes, gentios e pagãos.
Surge então um novo conceito de vida, portador duma tão grande amplitude, que não cabia dentro das imensas fronteiras do Império Romano.
A mensagem de que Jesus é portador atinge a vida humana em todas as suas manifestações. Nada escreve, nasceu, viveu e morreu na maior fragilidade humana mas, da Sua Palavra simples como um grão de mostarda, nasceu uma grande árvore de amor ao próximo, de dignidade do homem, já não como ser simplesmente racional, mas portador duma “centelha divina” que o imortaliza e o leva a crescer no bem, na vontade, no querer ser mais perfeito à semelhança do seu Criador.
O Menino Jesus não é uma simples criatura, ou mais uma personagem que passou na história da humanidade, um profeta ou um iluminado que existiu num tempo e num espaço geográfico e depois se retirou deixando alguns exemplos ou advertências.
Ele é o Filho de Deus feito homem que vive hoje, aqui e agora no meio de nós, vemo-Lo com os olhos da fé e falamos com Ele em oração, na certeza de que nos ouve e rejubila com o nosso amor.
Com Cristo se cumpriram todas as promessas feitas aos Patriarcas, renovadas a Moisés no Monte Sinai, (século XII a. C.), mas reveladas com o envio do Seu próprio Filho, estabelecendo para sempre a Sua aliança com a humanidade.
O Filho é a Palavra definitiva do Pai e é n´Ele e com Ele que se cumprem todas as promessas salvíficas contidas no Antigo Testamento.
O nascimento deste Filho Salvador da Humanidade – Deus feito Menino no meio dos Homens para os conduzir à Salvação Eterna, é pura e simplesmente o que festejamos como Natal.
Boas Festas, Feliz Natal, Glória Deus nas Alturas e votos de Paz na Terra a todos os Homens por Ele amados.


