“Um político assume-se”. Dizia-nos Mário Soares.
Esta é a primeira razão para apoiar José Luís Carneiro. Porquê? Porque se era expectável que Pedro Nuno Santos fosse candidato, e que, tal como afirmado por muitos, seria o próximo Secretário-Geral do Partido Socialista, no momento em que arranca o processo eleitoral interno, José Luís Carneiro entende avançar, enfrentando a “sondagem” de corredores de que a eleição de Pedro Nuno Santos seria um “passeio no parque”.
Entendeu que reunia as condições para avançar, que tinha vontade e os apoios mínimos que lhe permitiriam arrancar. Assumiu.
A segunda razão, e ao contrário das opiniões que tanta tinta têm feito correr, (não discuto as características de personalidade de cada um), está nas competências (à luz das atuais definições de gestão de recursos humanos). É neste quadro da experiência de presidente de câmara, e dos cargos governativos que desempenhou, que consigo reconhecer o conhecimento, a capacidade de aprendizagem e de adaptação ao lugar, as atitudes, as aptidões e os comportamentos que transmitem segurança psicológica (outro conceito da gestão que deve ser transportado para a política), para ser Secretário-Geral e Primeiro-Ministro.
A terceira razão é a garantia que José Luís Carneiro dá de preservar a autonomia política e estratégica do Partido Socialista. Durante os quase 50 anos de Democracia sempre fomos capazes de fazer os acordos e estabelecer os entendimentos necessários a bem do interesse nacional, preservando a sua direção, os seus valores e os seus princípios. Não podemos hipotecar o futuro do país, promovendo acordos que não sabemos se o povo e o seu voto o manifestam. Se em 2015 o PS foi capaz de promover a “geringonça”, foi porque os votos do povo assim o determinaram. Hoje, a 3 meses das eleições, não sabemos qual o resultado eleitoral. E isso é, ou deve ser, suficiente para afirmar que serão os resultados eleitorais que determinarão a discussão interna e a solução a aplicar. Chama-se Democracia!
Finalmente, porque não quero perder o legado de António Costa, que resgatou o Partido da sombra em que se encontrava e o País do sentimento de empobrecimentos que todas e todos viviam. Essa capacidade fez-se com o que na atual linguagem política se chama de “contas certas”. Aquelas que o PSD e os seus donos sempre acusaram do PS não ser capaz. E sei que com José Luís Carneiro este princípio, o de não honorar as gerações futuras com desequilíbrios orçamentais, o de manter as Contas Certas, será mantido.
O “novo normal” de instabilidade internacional, política, social e económica exige lideranças capazes de gerir as competências de quem está nas suas equipas, uma liderança que transforme, seja inclusiva, verdadeiramente inclusiva, que conte com as gerações dos 20, dos 50 e dos mais de 65, uma liderança que constrói pontes com diálogo e respeito por pontos de vista diferentes. Uma liderança que seja, manifestamente, “Por Todos, Para Todos”.


