Imagine uma laranjeira. Precisa de água e terra para enraizar, mas também precisa de sol para poder crescer, para estender os seus ramos para cima e para os lados, como se quisesse abraçar o céu, e para receber os raios que tornam as suas laranjas doces.
As pessoas são como as árvores, metade debaixo da terra, metade expostas ao ar. Metade Mãe, metade Pai.
Água a mais apodrece; sol a mais queima. É preciso ter o que se precisa; não menos que o suficiente, não mais do que se consegue tolerar. (Na vida é tudo uma questão de grau. Para nós 10 graus é frio, 100 graus ferve e queima).
A compaixão é devida, porque as coisas têm sempre uma razão de ser, mesmo quando esta não é óbvia.
Por vezes as pessoas vivem em prisões emocionais e relacionais que as impedem de serem mais autónomas e capazes.
“Nothing comes from nothing”…
Ninguém sofreria se soubesse como poderia evitá-lo. A dor de alguém é sempre uma tragédia em si mesma e é digna de compaixão. O que não significa que devamos alinhar com o que está errado em vez de procurar o que está certo.
O que acontece é que ainda vivemos muito “à superfície”, na incompreensão da causa das coisas. (Compreender não anula os factos, mas torna a leitura das coisas e o seu impacto muito substancialmente, daí a sua importância.)
O que não significa que quem sofre tenha o direito de querer destruir ou maltratar os outros. E quem cuida não tenha o direito e a responsabilidade de o fazer. “Quem ama, cuida”.
Não somos infinitos, por isso somos todos chamados ao amor, – que é a fonte, o meio e o destino da vida, – na medida da nossa real capacidade.
Apenas Deus sabe, compreende e ama completamente o que criou, e que continua a criar.
Resta-nos aceitar, acolher e fazer o melhor que nos é possível.


