O seu pontificado, fazendo jus ao nome Pontífice (Bispo de Roma) ajudou a construir pontes entre os homens através do diálogo, abolindo inimigos e concorrentes e promovendo o diálogo intercultural, e inter-religioso, construindo verdadeiros laços de amizade e fraternidade.
Papa Francisco, nascido Jorge Mário Bergoglio, nasceu em Buenos Aires tornando-se o primeiro pontífice nos últimos 1200 anos a nascer fora da Europa.
Iniciou-se na companhia de Jesus, licenciou-se em Teologia, e foi o primeiro jesuíta a ser eleito papa a 13 de Março de 2013, tendo-nos deixado um legado único.
Criado longe da velha europa conservadora, trouxe na sua aparência e na sua palavra uma nova força que deixava transparecer a sua energia vibrante, e com isso uma nova Esperança.
A escolha do nome recaiu em Francisco, inspirando-se em Francisco Assis, padroeiro de Itália, terra natal dos seus ancestrais, mas também por ser a referência ao homem dos pobres, ao homem que ama, ao homem da paz e ao cuidador da criação.
Amado e odiado, na eloquência(dádiva) das suas palavras e no abraço do seu sorriso, foi este o Papa que quis ensinar ao mundo, independentemente de crença religiosa, tom de pele, língua ou ideologia, o significado da palavra Fé!
Lutou contra a fome, contra a guerra, contra a diferença e foi, sobretudo na diferença das suas palavras que residiu a sua genialidade que tanto cativou o mundo.
Lutava contra a Pobreza não só por indigência, doença e marginalidade, mas também contra a Pobreza espiritual a que o seu antecessor, Bento XVI chamou de ditadura do relativismo.
O seu pontificado, fazendo jus ao nome Pontífice (Bispo de Roma) ajudou a construir pontes entre os homens através do diálogo, abolindo inimigos e concorrentes e promovendo o diálogo intercultural, e inter-religioso, construindo verdadeiros laços de amizade e fraternidade.
E foi também através do diálogo que lutou contra os extremismos, que considerava um perigo para todas as religiões, defendia a liberdade como a coragem na escolha e trabalhou sempre para edificar a paz. Foi um diplomata em todas as áreas e em todas as lutas a sua postura foi sempre misericordiosa.
Comunicador nato, fluente em 6 línguas, considerava a comunicação uma oferenda, uma dádiva de um pouco de si ao próximo.
Defendia uma alfabetização mediática e do pensamento crítico, a promoção do crescimento pessoal e a participação dos indivíduos nas suas comunidades.
Acreditava que as grandes mudanças não podem ser o resultado de mentes adormecidas, mas tão só fruto de corações iluminados.
O seu comprometimento na luta contra o consumismo ficou célebre ao despojar-se do cobiçado vermelho escarlate Prada.
Uma das suas muitas lutas foi contra o marxismo e contra as alterações climáticas, mas também abraçou a defesa das minorias, tendo sido pródigo na desconstrução de ideais conservadores do clérigo, enraizados em décadas de obscurantismo, traições e demonizações no seio da Igreja católica e por isso, muitas das suas lutas foram acolhidas como um sopro de esperança.
Apesar de uma visão mais libertária nalguns assuntos, manteve a postura tradicional da Igreja católica em relação a temas fracturantes da actualidade como o aborto e a eutanásia, o celibato e a ordenação de mulheres e foi nesta dualidade e arejamento da Igreja católica que quebrou e ultrapassou muros, aproximando novamente a igreja do povo e consequentemente atraindo mais fiéis.
Ficou célebre a sua frase “… como eu gostaria de uma igreja pobre para os pobres” e encorajou-nos a: “narrar a esperança e compartilhá-la.”
Lutou até ao último suspiro pelo bem de todo o homem que vive nesta terra e a sua palavra foi tanto só uma; Amor! O Amor tal como Jesus Cristo nos ensinou e de que tanto nos afastamos e foi nesse amor despretensioso e humilde que residiu a sua diferença.
Foi na entrega aos povos, despido de preconceitos, com as vestes da humildade e do amor simples e verdadeiro que nos mostrou o caminho de Deus, o único bem, através do qual nascemos e o único que levamos e perpetuamos através da eternidade.
Foi este Francisco, que na sua humildade e dádiva da palavra nos ensinou a amar sem catalogar, amar sem estereotipar, amar sem julgar, amar incondicionalmente o próximo, mas sobretudo a nós próprios, pois em cada um de nós reside a chama de Deus e por isso a grandeza da sua obra imaterial será eterna.


