O pior e o grave deste tombo governamental no âmbito da investigação aos lindos negócios de lítio e do hidrogénio verde, não se restringe à detenção do chefe de gabinete de António Costa e do seu amigo, padrinho e consultor Diogo Lacerda Machado. Chama-se João Galamba. Ministro das Infraestruturas constituído arguido e que se esqueceu de nobreza, e de outros substantivos afins, de se demitir.
É um doutor em cenários políticos. Doutor catedrático. Goste-se ou não se goste de António Costa, é impossível negar-lhe a sua agilidade em edificar pontes e o sentido de estado. Tem. Não somente quando é governante. A sua pronta demissão, a forma como a fez, o que disse, e o não ter apontado o indicador à justiça, serviram-lhe para que a saída, a sua, fosse tão limpa como o detergente omo.
Essa coisa, sim, isso é uma coisa, não uma realidade válida, de sugestões que deu ao Presidente da República para o substituir, resume-se à derradeira tentativa de manter o barco socialista a navegar, ainda que seja sem remos e no mar seco. Mário Centeno saiu do governo para dirigir o Banco de Portugal, e na despedida parecia que tinha sido obrigado, tal era a nostalgia. Adiante.
Augusto Santos Silva é presidente da Assembleia da República, e está tudo dito. António Vitorino é um ministro demissionário do século passado e um simpático desaparecido em combate, que conhece o que é ser investigado. O presidente do PS, Carlos César , mostrou felizmente, indisponibilidade para chefiar o governo.
O pior e o grave deste tombo governamental no âmbito da investigação aos lindos negócios de lítio e do hidrogénio verde , não se restringe à detenção do chefe de gabinete de António Costa e do seu amigo, padrinho e consultor Diogo Lacerda Machado. Chama-se João Galamba. Ministro das Infraestruturas constituído arguido e que se esqueceu de nobreza, e de outros substantivos afins, de se demitir. Sentado no posto com cola tudo, como já vimos anteriormente, a sua permanência transmite o ditado que um adulto com os neurônios da decência a funcionar não aprecia: daqui não saio e daqui ninguém me tira. Não larga a cadeira agarrado à esperança que a crise possa passar pelos pingos da chuva do povo.
Engana-se; vai ficar encharcado. Pensa, quiçá, que Marcelo Rebelo Sousa dará um chapéu de chuva a um governo sem Primeiro-ministro, com dois presos e ministro arguido. Mas de Belém tudo é possível, pastéis e santini, a pautar política em dias de gravidade é milho aos pássaros que não voam.


