Nuno Melo acredita numa “nova solução de centro-direita”

Marta Roque

Nuno Melo saúda a decisão de Carlos Moedas em comemorar o 25 de novembro em Lisboa, que “assume com coragem” o que “não pode ser esquecido e deve ser exaltado”.

Este sábado o CDS-PP presta homenagem aos Heróis do 25 de novembro na Amadora e em vários concelhos, por todo o país.

Sobre as próximas eleições legislativas o eurodeputado centrista diz, ao Estado com Arte Magazine, que o partido já deu provas suficientes de capacidade e de ter protagonistas e políticas credíveis para defender o interesse nacional no Governo.

Apesar de Augusto Santos Silva ter reconhecido que é importante comemorar o 25 de novembro, bem como Eurico Brilhante Dias, escreveu no Publico que “o Grupo Parlamentar do PS não deixará de assinalar o 25 de novembro, Nuno Melo, questionado pelo Estado com Arte Magazine, não acredita que o PS vá pôr na agenda as comemorações do 25 de novembro durante a celebração dos 50 anos do 25 de abril. Isto no caso de Pedro Nuno Santos ser eleito secretário-geral do PS, porque diz o eurodeputado “é sabido que defende soluções parlamentares e de governo à extrema-esquerda com PCP e BE, totalmente incompatíveis com o significado do 25 de novembro.”

O PCP e os partidos e movimentos estiveram na origem do Bloco de Esquerda, “na trincheira dos que quiseram um regime totalitário em Portugal até ao 25 de novembro”. Considera ainda que “escapa à racionalidade que hoje o PS se envergonhe do 25 de novembro, tendo dele sido um dos protagonistas em 1975.”

Nuno Melo considera que na liderança do PS, a nível nacional e em diferentes outros patamares de decisão, estão pessoas que ao tempo militavam nos extremismos que lutaram pela vitória do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e pelo caminho, evoluindo, transitaram para o PS.

“Para estes dirigentes, celebrar o 25 de novembro é evocar a memória traumática da sua própria derrota. Acrescem novas gerações à esquerda, nascidas muito mais tarde, sem conhecimento nem memória política suficientes para terem noção do papel maior que à data, o PS realmente desempenhou.”

Quanto a expectativas das comemorações do 25 novembro este sábado, espera que aconteçam, “apesar de todos os boicotes da esquerda que ainda não perdoou a vitória da democracia.”

Saúda a decisão da coligação PSD/CDS e de outros partidos em Lisboa, liderada por Carlos Moedas, que assume com “coragem o que não pode ser esquecido e deve ser exaltado.”

A programação de 25 de novembro em Lisboa terá início às 11:00, com deposição de uma coroa de flores em homenagem aos militares tenente José Coimbra e furriel Joaquim Pires, na Calçada da Ajuda, e às 12:15 terá lugar a cerimónia comemorativa do 48.º aniversário do 25 de novembro, no salão nobre dos Paços do Concelho.

A conferência “Democracia e Liberdade: Cumprir Abril em novembro”, pelas 15:00, leva ao Palácio Galveias, ao Campo Pequeno, Álvaro Beleza, presidente da Sedes – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, e o analista político José Miguel Júdice. A exposição “25N – A história que não te contaram”, pelo Instituto +Liberdade, estará patente na Praça do Município, entre 24 de novembro e 17 de dezembro.

A iniciativa surge após o executivo municipal ter aprovado, em 11 de outubro, um voto de condenação pelo anúncio das comemorações do 25 de novembro pelo presidente da autarquia, proposto pelo PCP, por constituir “uma tentativa de menorizar a dimensão e significado da Revolução de Abril”, segundo a LUSA.

O voto foi aprovado com votos a favor de PS, BE, PCP, Cidadãos por Lisboa e Livre e contra de PSD e CDS-PP.

O CDS-PP presta homenagem aos Heróis do 25 de novembro todos os anos, na Amadora e em vários outros concelhos, por todo o país.

Atrair eleitorado ao centro e à direita do PSD ( Chega e IL)

Nuno Melo acredita que as próximas eleições legislativas serão “decisivas” para o CDS-PP, “representando o eleitorado democrata-cristão, conservador e liberal, para uma nova solução de centro-direita no futuro.”

Sobre a questão de como atrair eleitorado ao Chega e IL, Nuno Melo refere que enquanto partido fundador do regime democrático o CDS “faz falta a Portugal, porque “é a direita social, humanista, personalista, democrata-cristã, aberta a conservadores e liberais, que é lúcida, responsável, confiável, com ideias, propostas, muitos quadros reconhecidos e capazes e o único partido de direita em Portugal com credibilidade e experiência governativa.”

Em todos os Governos nacionais em que participou, o “CDS-PP foi decisivo, através das suas políticas e dos seus governantes, para tornar o país mais próspero e mais humanista. O partido já deu provas suficientes de capacidade e de ter protagonistas e políticas credíveis para defender o interesse nacional no Governo”, comenta o eurodeputado.

Os centristas dizem defender “um país mais próspero e mais humanista, que privilegia o valor do mérito e do trabalho, com menos Estado e menos impostos, pelas famílias com mais liberdade de escolha e empresas com mais competitividade fiscal, sem esquecer as famílias mais vulneráveis”.

Nas últimas eleições legislativas de 2022 o CDS-PP não conseguiu eleger nenhum deputado, o que acontece pela primeira vez em 47 anos de democracia, com o antigo líder Francisco Rodrigues dos Santos.

O atual líder dos centristas, Nuno Melo, agora vai passar prova de vida nas eleições a 10 de março.

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